2 de maio de 2017

Crítica: Jason X (2001)


Toda franquia de sucesso, principalmente aquelas de terror dos anos 80, tem seu filme que simboliza o fundo do poço. A Hora do Pesadelo 6: A Morte de Freddy (1991) foi o da série do Freddy Krueger, Halloween 6: A Última Vingança (1995) foi o de Michael Myers e bom... Jason X (2001) foi o da franquia Sexta-Feira 13. Uma vez a mais prolífera do gênero, a série iniciada em 1980 chegava em seu décimo filme já cansada e preguiçosa. O penúltimo filme tinha sido uma bomba e os planos oficiais da New Line era produzir o esperado embate Freddy vs Jason (2003). No entanto, o crossover foi um processo longo e demorado.

Foi aí que Sean S. Cunningam, produtor da franquia e diretor do primeiro filme, falou que precisavam de um novo filme para manter o personagem na boca do pessoal, só que ninguém tinha uma ideia para o décimo Sexta-Feira 13. Não até Todd Farmer chegar, dando a ideia de levar o Assassino da Máscara de Hockey para o espaço! Quem conhece um pouco de filmes de terror que quem tentou essa proposta errou feio com filmes como Hellraiser 4 - Herança Maldita (1996) ou O Duende 4: No Espaço (1997). Essa ideia podia ser a mais absurda já pensada em Hollywood ou a mais genial. Dependendo do ponto de vista, rs.

O resultado foi um filme ruim, ruim pra caralho. Não há desculpa no mundo para elogiar um embuste como Jason X. No entanto, vejam só, ele pode ser um filme muito divertido e dá pra rir bastante se você for assisti-lo sem nenhum compromisso ou sem levá-lo a sério. Há tanta coisa ilógica, tanta asneira, que a única coisa que resta é rir. 


A trama se inicia no ano de 2010. Jason finalmente foi capturado, mas nada que o exército faça é capaz de matá-lo. A única solução parece ser congelá-lo e o método seria aplicado sob a supervisão da cientista Rowan (Lexa Doig). Mas o procedimento é interrompido pelo Dr. Wimmer (numa participação especial do diretor David Cronenberg) e alguns soldados, que querem levar o assassino. Tudo dá errado e Jason escapa, matando todos. Rowan, no entanto, consegue colocá-lo na câmara de congelamento, mas não antes de Jason fazer com que ela também fique presa.

Quatro séculos se passam e a Terra se tornou um ambiente inabitável. A equipe de pesquisa à bordo da Nave Grendel retorna ao planeta e acaba encontrando o lugar onde Jason e Rowan estão congelados, trazendo-os para a nave. Enquanto Jason é dado como morto, Rowan é trazida de volta à vida com a nanotecnologia.

Só que é claro que Jason não está morto e não demora muito pra ele despertar e começar o seu massacre pela nave. E que massacre! Jason X é o filme da franquia com mais mortes, somando 28 ao total. E embora algumas sejam bem fracas, outras são bem criativas, como a moça que tem seu rosto congelado e depois quebrado em pedaços ou então o cara que é jogado em uma rosca gigante e sai descendo girando com a lâmina em seu busto!


O ponto alto do filme chega no terceiro ato quando, adivinhem só, Jason é finalmente morto pelos personagens sobreviventes. Eles poderiam muito bem fechar o filme por aí, mas não! Acontece que Jason estava próximo à máquina de reconstrução e retorna mais forte do que nunca. O Jason bombado e turbinado ganha um novo visual, meio futurista com olhos vermelhos e tudo.

Muita da influência do filme veio de Alien (1979), um dos maiores filmes de horror sci-fi que conhecemos e isso foi dito pelo próprio roteirista, Todd Farmer, que também aparece no filme como um dos personagens e viria, anos depois, a escrever filmes como Dia dos Namorados Macabro 3D (2009) e Fúria Sobre Rodas (2010). É possível notar até uma cena bem idêntica ao quarto filme da franquia, Alien: Ressurreição (1996), onde uma personagem é sugada por uma brecha no casco da nave. A mesma cena também traz a incoerência de Jason andar livremente sobre o local sem ser afetado pela sucção de ar! A cena e o "clima" também não é a única coisa chupada de Alien. Há também a presença da personagem Kim (Lisa Ryder) que nada mais nada menos que uma android criada por um dos tripulantes e que é modificada para matar Jason!

E embora se passe fora do Planeta Terra, Jason X ainda tomou a liberdade de usar e abusar de coisas que se tornaram obrigatórias na franquia, como cenas de sexo (embora Jason não chegue a interromper uma) e até mesmo uma homenagem aos primeiros filmes, quando os personagens criam uma realidade alternativa no Acampamento Crystal Lake para distrair o assassino.

Reforçando o que falei no início do post, esse não é um filme bom e nunca será, assim como o post não foi feito para elogiá-lo, apenas para apontar as ideias absurdas que de tão absurdas, se tornam engraçadas. Sendo claramente o fundo do poço da franquia, Jason X é claramente uma comédia de horror que se você assistir de forma correta, irá divertir bastante.
por Neto Ribeiro

Título Original: Jason X
Ano: 2001
Duração: 92 minutos
Direção: James Isaac
Roteiro: Todd Farmer
Elenco: Kane Hodder, Lexa Doig, Lisa Ryder, Chuck Campbell, Jonathan Potts


Description: Rating: 2 out of 5

Um comentário :

  1. Jason X é menos ruim do que a parte 9 que é a mais triste! Esse pelo menos vemos o Jason e na 9 era o espírito do mesmo entrando nas pessoas. Em outros sites dei uma estrela.

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