3 de junho de 2017

Crítica: Amityville 2 - A Possessão (1982)


O primeiro Amityville foi impactante e assustador, levando em conta o ano em que fora produzido, ele deu ao público a segunda parte da história da casa assombrada mais famosa do mundo. A estadia da família Lutz durante um mês na casa cujo um assassinato envolvendo a morte seis membros da mesma família ocorrera um ano antes, e a situações que fizeram os Lutz saírem correndo da casa deixando todas as suas coisas lá. Baseado no livro de Jay Anson, o filme tem altos e baixos, mas no geral, agradando o público e dando motivos para o surgimento de futuras continuações. 

Família Montelli
George Lutz, o próprio, queria que a sequência do clássico de 1979 fosse baseado no livro 'The Amityville Horror Part 2' escrito por John G. Jones, mas o produtor Dino De Laurentiis conseguiu um contrato com American International Pictures para uma sequência baseada em 'Murder in Amityville' por Hans Holzer. Ao saber disso, Lutz processou De Laurentiis e acabou perdendo, mas conseguiu aplicação Colocando nos teatros alguns cartazes dizendo "Este filme não tem nenhuma afiliação com George e Kathy Lutz.". Para nível de curiosidade, o livro 'The Amityville Horror Part 2' narra as consequências da família Lutz após terem fugido da casa no livro original, sendo assim, uma sequência direta do primeiro filme. Já o livro 'Murder in Amityville' conta a história da família DeFeo, ou seja, eventos antes da fuga da família Lutz. Então sim, esse segundo capítulo é uma prequel do filme original, o que não é nada mal, diga-se de passagem.  

Ao contrário do primeiro filme 'A Cidade do Terror', Amityville 2 foi filmado em um estúdio no México. Algumas das cenas da casa são da residência que fica em Toms River, New Jersey, outras cenas são do filme original que não foram introduzidas no longa de 1979, sendo aproveitadas em Amityville 2. A película é dirigido pelo cineasta italiano Damiano Damiani; No seu elenco estão: James Olson (Como Padre Adamsky), Burt Young (Como Anthony Montelli), Rutanya Alda (Como Dolores Montelli), Jack Magner (Como Sonny Montelli), Diane Franklin (Como Patricia Montelli), Andrew Prine (Como Padre Tom) e Moses Gunn (Como Detetive Turner). Um fato interessante aqui é que os nomes e sobrenomes da família DeFeo foram modificados para a família Montelli e houve a diminuição da família que aqui tem um membro a menos, provavelmente isso se deva para garantir a preservação da família, ou o que restou dela. 


Sem mais delongas, Amityville: A Possessão, conta a história da família Montelli do momento em que se mudam para a casa de Long Island, nº 112 da Ocean Avenue, até alguns momentos após o massacre da família composta pela patriarca, Anthony; A matriarca, Dolores, e os seus quatro filhos: Sonny, o mais velho; Patricia, Jan e o caçula Mark. 

Logo de cara nos percebemos que Anthony é um pai rígido, ele é duro demais com Sonny a ponto de deixá-lo mal com os seus comentários, além disso, ele não leva desaforo, bate na mulher quando é contrariado e nos filhos pequenos quando eles fazem alguma malcriação, analisando por alto, ele parece ser o maior problema da família. Apesar desse gênio, podemos perceber que ele é um pai que ama e se preocupa com os seus filhos e sua mulher. Quando chegam na casa, a animação é geral, todos estão ansiosos por morar num local tão grande.

Não demora nada para que coisas estranhas comecem a acontecer no cotidiano dos Montellis: Sangue sai das torneiras, camas girando em torno de si, móveis se movendo sozinhos, recados macabros nas paredes e alucinações... Além de que Dolores, após encontrar um compartimento secreto no porão, afirmar ter sido tocada por alguma coisa que estava ali à espreita. Enquanto isso a relação entra os membros da família vai se deteriorando rapidamente chegando a tal ponto em que Sonny aponta a espingarda para o pai e a Dolores ameaçar matar Anthony por tê-la agredido após tentar defender seus dois filhos caçulas dele. Por falar em Sonny, o rapaz é o maior influenciado pelo demônio que reside ali, talvez a sua relação conflitante com o pai tenha feito com que ele fosse um alvo fácil para o ser maligno.  

Dolores pede para que o Padre Adamsky abençoe a casa, e após um incidente envolvendo o temperamento explosivo de Anthony, o sacerdote sai da moradia, ao chegar em seu carro ele percebe que a Bíblia fora totalmente destruída. Aliás, um ponto interessante é que muitos fenômenos acontecem quando qualquer coisa relacionada a Deus é mencionada, coisas como: orações, crucifixos nas paredes, a presença do padre, bençãos, etc.

Uma cena bem interessante é quando todo mundo, menos o filho primogênito, vai à igreja pedir desculpas ao padre pelo pequeno desentendimento que ocorrera mais cedo. Sonny, sozinho em casa, é perseguido e atacado pelo demônio, nós não vemos a entidade, a câmera funciona como se fosse o demônio nos dando uma visão das perspectiva do ser maligno em primeira pessoa. Vale dizer que durante a projeção o diretor Damiano Damiani mostra uma habilidade muito legal de criar cenas sinistras apenas com as posições das câmeras, em um cena nós vemos inversão de 180 graus mostrando Sonny sendo atormentada pelo demônio numa perspectiva de cabeça para baixo, em outra cena a câmera gira rapidamente em torno do quarto de Sonny até fazer-nos topar com a cara deformada do jovem, entre outros bons momentos.  

Como se não bastasse, uma voz dizendo para Sonny matar toda a sua família, vive surgindo para ele. Acredite se quiser, mas tudo isso tem relação com a história verdadeira, Ronald DeFeo Junior alegava que vozes pediam para ele matar a sua família, além disso, um fato ainda mais perturbador é alvo de debates e teorias até hoje, mas nada comprovado, é a relação de incesto entre Sonny e a sua irmã Patricia. 


Na vida real, algumas teorias dizem que Ronald Jr. teve relações com a sua irmã Dawn e que para obter a pólice de seguro dos pais, mataram toda a família juntos, no entanto, no ultimo momento, Ronald a traiu e a matou, e isso poderia explicar porque todas as vitimas foram encontradas mortas nas suas camas. O fato dele dizer que vozes pediam para ele matar a sua família poderia ser uma tentativa de alegar insanidade mental, e assim, receber uma pena menos dura. E um pouco dessa ideia veio a tona no filme justamente na relação entre os dois irmãos, é algo 'nojento' e bem perturbador, mas coerente dentro da trama.

Mesmo Patricia amando o seu irmão, ela teme pela sua vida e de sua família... Em determinado momento ela chega a ligar para o padre para dizer que está com medo. E essas situações só vão piorando quando Sonny a despreza por estar sendo possuído pelo demônio, pelo fato de sua mãe ter descoberto a relação entre seus filhos, e por aí vai. 

A parte mais chocante do filme está relacionado com a noite dos assassinatos, quando o demônio tem domínio total do corpo de Sonny, ele pega a espingarda do pai e sai matando um a um de sua família. Começando pelo seu pai, passando por sua mãe, a sua irmã mais nova, o seu irmão caçula, e por ultimo Patricia. As cenas são fortes, nós vemos o rapaz atirando em cada membro a sangue frio e com um belo sorriso no rosto. É claro que nos dias atuais vocês provavelmente já viu coisas mais chocantes que isso, mas em 1982, foi algo realmente assustador e impactante. Uma controvérsia com a história original é que no filme as vitimas não foram encontradas em suas camas, elas estavam espalhadas pela casa, entre as vitimas podemos destacar Patricia que além de tentar sair da casa, tentou ajudar o seu irmão caçula a fugir da mira do irmão.


Podemos dizer que o longa é dividido em duas partes, a primeira fala sobre a experiência dos Montellis na casa, e a segunda fala sobre o Padre Adamsky tentando livrar Sonny do demônio que estava dentro dele, e aqui acompanhamos a busca do padre em conseguir uma autorização de seus superiores para exorcizar o jovem que aos olhos de todos é um assassino psicopata, porém, após presenciar alguns fenômenos, o Detetive Tuner decide ajudar o Padre a fazer o exorcismo sem a autorização da igreja. 

Nesse segundo momento a originalidade do longa se esvai aos poucos.  Em dois momentos em particular podemos perceber explicitamente o plágio escancarado do clássico 'O Exorcista', uma é a parte em que aparece no braço do Sonny um 'Me Ajude!', a outra é quando o padre implora para que o demônio possua ele e deixe o jovem em paz. E por essa falta de originalidade, o final do filme perde um pouco do seu impacto, talvez sendo o único ponto negativo desse longa. Vale ressaltar que essa segunda parte é totalmente inventada para a película, pelo menos em minhas leituras e estudos sobre o caso, não existe nada falando sobre o exorcismo de Ronald DeFeo Jr.

O final é aceitável, mostra o que aconteceu com Sonny e o trágico destino do padre, além de dar gancho para a entrada da família Lutz na casa um ano depois (mostrado no filme 'Terror em Amityville' de 1979). A trilha sonora é boa, o elenco é ótimo ... Um ponto que ainda me deixa em dúvida é a questão da maquiagem, em alguns momentos ela é ótima, em outros momentos ela é fraca e visivelmente falsa, porém isso é só um detalhe que não deve ser um fator capaz de interferir na diversão como um todo. Por esse motivo a nota para 'Amityville 2 A Possessão' é: 7,5.

Uma curiosidade sobre o filme é que a cena em que a casa pega fogo no final, teve que ser feito de verdade. Quando a explosão aconteceu, toda lateral da casa ficou suja de fuligem devido a explosão. 

Depois da exibição teste, o diretor Damiano Damiani decidiu cortar várias cenas por várias razões, uma delas sendo a reação negativa do público uma vez que tais cenas mostravam Anthony agredindo Dolores e outra cena em que mostrava Sonny e Patricia fazendo sexo incestuoso, esta ultima sendo adicionada ao script porque Damiani queria chocar os espectadores. A cena original era muito mais gráfica e sexual, enquanto no filme, após Sonny começar a beijar Patricia, mudam de cena. 

Também existem algumas cenas excluídas como: a do Anthony que está sentado do lado de fora da casa, bebendo e limpando uma arma, e uma cena em que Jan, a terceira filha dos Montelli, está empurrando a cabeça de Mark, o caçula, sob a água enquanto ele está na banheira. 

No trailer existe uma cena em que Jan e Mark estão de mãos dadas olhando para a janela, essa cena não está no filme. 


Por tudo que foi dito acima concluo que, apesar dos pequenos deslizes, 'Amityville 2: A Possessão' é facilmente melhor que o primeiro filme. Ele consegue aterrorizar e chocar pela brutalidade contida nele, afinal, ver crianças sendo assassinadas a sangue frio não é nada fácil de se ver. É claro que a película tem alguns exageros, o exorcismo que eu diga, e problemas com plágios, algo totalmente desnecessário, mas no geral, o filme funciona bem e mostra de forma bem macabra os acontecimentos naquela tranquila região de Long Island.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Damiano Damiani.

Produção: Dino De Laurentiis.

Roteiro: Hans Holzer, Tommy Lee Wallace, Dardano Sacchetti. Inspirado no livro 'Murder in Amityville' de Hans Holzer.

Elenco: James Olson  (Padre Adamsky), Burt Young (Anthony Montelli), Rutanya Alda (Dolores Montelli), Jack Magner (Sonny Montelli), Diane Franklin (Patricia Montelli), Andrew Prine (Padre Tom) e Moses Gunn (Detetive Turner).

Sinopse: A família Montelli muda-se para uma antiga casa, sem suspeitar que ela foi construída em cima de um cemitério indígena. Em razão disto, ela é habitada por um ser demoníaco, que entra no corpo do filho mais velho e o induz a matar sua família.

Trailer

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Capa do Livro que Inspirou o Filme

Por: Michael Kaleel. 

Um comentário :

  1. Gosto muito desse filme. Na minha opinião é o melhor dessa franquia que por sinal, acho bem fraca. Salva-se o primeiro e o segundo só.

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