9 de junho de 2017

Crítica: Hellraiser II - Renascido das Trevas (1988)


Seu sofrimento será uma lenda, até mesmo no inferno!

Continuando a franquia Hellraiser, vamos falar sobre a segunda parte, Renascido das Trevas. A sequência foi lançada diretamente após o primeiro, num espaço de um ano apenas. Embora Clive Barker não retornasse ao posto de diretor nem de roteirista, o escritor produziu e também criou o enredo do filme. O que é importante mencionar já que esta sequência serve como uma expansão do universo estabilizado no anterior. Então é legal ver que o autor original se envolveu e muita coisa nova apresentada aqui é canônica e aprovada pelo mesmo.

A história começa imediatamente após o fim de Hellraiser. Kirsty (Ashley Laurence) é internada num hospital psiquiátrico quando a polícia começa a investigar o que ocorreu na casa onde seu tio Frank ressuscitou dos mortos, sua madrasta Julia (Claire Higgins) se tornou uma assassina e seu pai, morto. Claro que toda a história sobre demônios sadomasoquistas e caixas mágicas não cola com a polícia. 

A garota avisa que precisam queimar o colchão onde Julia estava morta pois ainda há chances dela reviver. Só o que o médico-chefe do hospital, o Dr. Channard (Kenneth Cranham), sabe muito bem que tudo é verídico pois o mesmo estava à procura da caixa e resolve pegar o colchão, revivendo Julia (numa cena linda de se ver!). Mas o jovem médico Kyle (William Hope) testemunha o ocorrido e assim, Kirsty ganha um aliado.

Julia renascendo.

O que acontece é que Channard possui a caixa, chamada de Configuração do Lamento mas não sabe como abri-la. Ele leva então uma paciente do hospital que passa seus dias montando quebra-cabeças e a menina consegue decifrar a caixa. É a partir daqui que adentramos o Submundo, onde conhecemos mais sobre a mitologia desse inferno.

Kirsty entra para tentar achar seu pai e trazê-lo de volta, mas acaba se deparando com outras coisas bem assustadoras. O filme explora a imagem de Leviathan, o deus do Labirinto, que aqui é retratado como uma versão gigantesca da caixa, controlando todo aquele mundo. É sem dúvidas o detalhe mais interessante apresentado no filme.

Em seguida, também aprendemos mais sobre a criação dos Cenobites e descobrimos que eles nem sempre foram do Submundo e que um dia eles foram apenas pessoas normais vítimas da caixa. Embora até seja interessante, pois até vemos a criação de um novo Cenobite, achei que acabou banalizando um pouco o poder dos Cenobites já conhecidos, humanizaram demais eles. Ainda não vi as sequências mas com certeza irei, e imagino que esta imagem deles é retomada. Claro que foi uma forma de mostrar que há coisas mais perigosas ali.

WTF?!

O filme é bem bacana justamente por ir além do que o primeiro propôs e trazer uma versão bem ampliada da mitologia. Ele se aproveita bastante de cenários novos, como um parque de diversões macabro, corredores imensos, labirintos, um tipo de necrotério infernal onde Kirsty reencontra seu tio Frank.

O que faz Hellraiser II funcionar tão bem é apostar nas bizarrices e manter a qualidade do primeiro. Infelizmente, ele tem alguns furos e erros de continuidade devido às revisões feitas no roteiro, após um ator decidir não retornar para o elenco. Mas é para ser considerado como uma versão mais potente do primeiro filme. Se Hellraiser foi um pesadelo suburbano e sadomasoquista, Hellraiser II é o dobro, trocando uma casa pelo próprio inferno. Embora ainda prefira o primeiro, essa sequência não decepciona e está entre as poucas sequências de franquias de horror que são tão boas quanto o primeiro!
Algumas curiosidades do filme:

- A sequência foi aprovada enquanto Hellraiser ainda estava em produção.

Leviathan
- Desde o primeiro filme, Clive Barker havia preparado histórias de origem para os Cenobites, embora eles não tenham sido explorados. Ele fez questão de que na sequência o público entendesse que eles um dia foram humanos e se transformaram em demônios devido à seus vícios.

- A principal vilã da série deveria ter sido Julia, pois assim era o planejado. Mas Pinhead se popularizou tanto entre os fãs que acabou virando o principal. Isso fez com que o final fosse mudado, onde Julia iria renascer como "A Rainha do Inferno".

- Andrew Robinson, que interpretou o pai de Kirsty no primeiro, se recusou a participar da sequência por achar desnecessário.

- O filme possui uma infame cena deletada onde os Cenobites estão usando roupas de enfermeiros, mas esta cena só funcionaria se Larry, o pai de Kristy, estivesse no filme.

- O barulho que Leviathan faz é um código morse para "Deus".

- William Hope, o Kyle, levou sua sogra e seu sobrinho para um dia das gravações. Era exatamente o dia onde a sangrenta cena do colchão foi gravada. Segundo ele, ela ficou chocada enquanto seu sobrinho adorou tudo.

por Neto Ribeiro

Título Original: Hellbound - Hellraiser II
Ano: 1988
Duração: 93 minutos
Direção: Tony Randel
Roteiro: Peter Atkins • História: Clive Barker
Elenco: Clare Higgins, Ashley Laurence, Kenneth Cranham, Sean Chapman, Doug Bradley


Description: Rating: 3.5 out of 5

2 comentários :

  1. Fantástica sequência que manteve o nível da primeira parte. A terceira,apesar de inferior, tb é bem legal. Daí pra frete a série foi se afundando.

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  2. Ótima crítica. Achei essa sequência um pouco melhor.

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