20 de junho de 2017

Critica: A Múmia (1932)


Essa criatura é um clássico, todo mundo já ouviu falar nela ou já viu as centenas de longas metragens referentes a ela. Quando se pensa em uma múmia, automaticamente se faz uma ligação com o Egito, também não é para menos, lá é um dos países (se não é o maior) que mais foram encontradas múmias no mundo, onde de acordo com a religião egípcia, a alma da pessoa necessitava de um corpo para a vida após a morte. Portanto, devia-se preservar este corpo para que ele recebesse de forma adequada a alma. Preocupados com esta questão, os egípcios desenvolveram um complexo sistema de mumificação.


Para nível de curiosidade, o processo de mumificação consistia nas seguintes etapas:

1 - O cadáver era aberto na região do abdômen e retirava-se as vísceras (fígado, coração, rins, intestinos, estômago, etc). O coração e outros órgãos eram colocados em recipientes a parte. O cérebro também era extraído. Para tanto, aplicava-se uma espécie de ácido pelas narinas, esperando o cérebro derreter. Após o derretimento, retirava-se pelos mesmos orifícios os pedaços de cérebro com uma espátula de metal.

2 - O corpo era colocado em um recipiente com natrão (espécie de sal) para desidratar e também matar bactérias.

3 - Após desidratado, enchia-se o corpo com serragem. Aplicava-se também alguns “perfumes” e outras substâncias para conservar o corpo. Textos sagrados eram colocados dentro do corpo.

4 - O corpo era envolvido em faixas de linho branco, sendo que amuletos eram colocados entre estas faixas. 

Após a múmia estar finalizada, era colocada dentro de um sarcófago, que seria levado à pirâmide para ser protegido e conservado. O processo era tão eficiente que, muitas múmias, ficaram bem preservadas até os dias de hoje. Elas servem como importantes fontes de estudos para egiptólogos. Com o avanço dos testes químicos, hoje é possível identificar a causa da morte de faraós, doenças contraídas e, em muitos casos, até o que eles comiam. 

Graças ao processo de mumificação, os egípcios avançaram muito em algumas áreas científicas. Ao abrir os corpos, aprenderam muito sobre a anatomia humana. Em busca de substâncias para conservar os corpos, descobriram a ação de vários elementos químicos.

Vale ressaltar que para transformar um corpo em múmia era muito caro naquela época. Portanto, apenas os faraós e sacerdotes eram mumificados, e alguns animais como, cães e gatos também foram mumificados no Egito Antigo.


Bem, saindo da história e de questões arqueológicas, vamos para o propósito dessa critica, falar do filme: "A Múmia", o primeiro filme a abordar esse personagem e parte do grupo das criaturas de terror que a Universal produziu. O longa é dirigido pelo ganhador do óscar, Karl Freund. Contamos com as participações de Boris Karloff que além de dar a vida a múmia, apareceu como o Frankenstein no filme de 1931; Zita Johann e David Manners. 

Na película, no ano de 1921 uma múmia  que viveu há 3700 anos, é encontrada. Trata-se do príncipe Imhotep que por ter cometido um sacrilégio, fora condenado a ser enterrado vivo. E junto com ela tem um baú que contem alguns pergaminhos que tinham o poder de trazer os mortos de volta a vida. Só que num dia, um dos pesquisadores, num ato de curiosidade, acaba lendo trechos do pergaminho, assim, trazendo Imhotep de volta a vida. A criatura vai embora e deixa o pesquisar louco. 

Dez anos depois, agora em 1931, o famoso arqueólogo que ajudou a encontrar Imhotep no passado, chamado Frank Whemple, acaba recebendo uma dica de Ardeth Bey que a múmia da princesa Ank su namon, está enterrado logo ali. As escavações começam e algum tempo depois, encontram a tumba da princesa, a amada de Imhotep. Isso fora um grande achado para toda a equipe. Durante o decorrer da história, nós ficamos sabendo que o rapaz que ressuscitou a múmia morreu numa clinica psiquiátrica de tanto rir, inclusive a cena em que ele não para de rir ao ver a criatura, chega a ser um pouco perturbadora. E todos achavam que a múmia de Imhotep havia sido roubada. 

O que ninguém sabe, é que Ardeth Bey é a múmia Imhotep que pretende trazer a sua amada de volta a vida através de Helen Grosvenor, uma linda mulher da qual a múmia acredita ser a sua Ank su namon reencarnada. Agora, Frank, junto com seu pai, Sr. Joseph Whemple, terão que lutar contra a criatura e evitar que ela consiga por as mãos em Helen que cada vez mais vai sentindo que o seu destino está ligado a Ardeth Bey. E o único jeito de fazerem isso, é usando o pergaminho que o trouxera a vida há 10 anos atrás.

'A Múmia' de 1932 é um clássico, não espere ver efeitos deslumbrantes, nem ação desenfreada como o filme de 1999, até porque estamos falando de 1932. Mas espere ver um filme com uma boa qualidade com ótimas e inovadoras técnicas de enquadramentos para a época, roteiro simples, ótimos atores e trilha sonora. Edward Van Sloan, interpreta do Dr. Mullen, ele também havia trabalhado em 'Drácula' de 1931 e Frankenstein de 1931. É um ótimo ator que faz um ótimo trabalho aqui também. O ponto mais fraco do elenco é Zita Johann que faz o papel de vítima indefesa de um modo muito caricato, o seu "dramalhão" não combina com o ritmo do filme. Por outro lado, Karloff é a melhor coisa, a sua presença causa arrepios e faz com que a sua múmia seja sinistra e misteriosa, algumas palavras o resume: sensacional, supremo, magnifico, expressivo, etc.

A maquiagem é impecável, e em vários momentos podemos ver os detalhes dela que são impressionantes e é muito melhor que algumas maquiagens de filmes atuais como os horríveis: "Dia dos Mortos 2 - O Contágio" e "Amityville - Playhouse", esses são os que lembro, mas com certeza têm mais. A maquiagem nesse filme é sútil e bem detalhada, os cenários são simples, mas muito bem representados além do figurino que embora seja simplista, nos remete ao Egito. 

Alguns aspectos negativos estão na história, o casal romântico entram numa paixonite avassaladora em questão de minutos, algo do tipo: "Olá, meu nome é Frank Whemple... Desculpe dizer, mas estou perdidamente apaixonado por você". A questão do desfecho também pode parecer simples demais, mas OK, nós filmes da primeira metade do século XX, isso é normal. E para terminar esses pontos negativos, é uma pena não termos visto mais da múmia tradicional, aquela criatura envolta por trapos, isso fica apenas no começo da trama, talvez se tivesse um pouquinho mais daquele monstro do começo, o filme poderia ter sido bem melhor.   

Vale dizer que o filme, apesar de ter cenas de suspense bem legais, ele não foca no terror, mas sim no mistério e no suspense. Uma coisa que é preciso deixar claro é que essa película não é para todo mundo, se você não gosta de filmes antigos em preto e branco que foca mais na história do que em terror, sustos ou gore... Fique longe e se divirta com o filme de 1999! 

Muitos jovens de hoje, pouco se interessam por longas desse tipo: Com relação ao 'A Múmia' (1932), pensam coisas como: O que são essas velharias perto dos grandiosos filmes 'atuais' com efeitos e tecnologia que o superam em todos os aspectos?... A resposta para isso é bem simples. Esse filme é um clássico que mesmo depois de 85 anos, ainda está aí presente no cotidiano e alimentando as novas gerações com as suas mais variadas versões, inclusive o novíssimo produto estrelado por Tom Cruise. Esse filme é a origem de tudo e base para a trilogia de Brendan Fraser que o público tanto gosta. Nota: 7,0.     

Aqui vão algumas curiosidades sobre o filme:

- Foi um sucesso de criticas e de bilheterias, principalmente no Reino Unido.

- Na série cômica Chaves, no episódio "Filme de Terror", Chaves e Chiquinha assistem a esse filme, que na época, era um grande sucesso no México.

- Henry Victor tem o nome mencionado nos créditos, mas ele não aparece no filme. Ele faria o guerreiro Saxon que era originalmente parte de uma longa sequência de flashback mostrando todas as vidas passadas de Helen do antigo Egito até o presente. A sequência foi cortada do filme por Karl Freund devido a falta de tempo.

- Atualmente as imagens e direitos do filme, pertencem ao guitarrista do Metallica, Kirk Hammett.

- O filme teve uma refilmagem em 1999. O nome dele se chama The Mummy.

Titulo: The Mummy.

Direção: Karl Freund.

Produção: Carl Laemmle, Jr.

Roteiro: John L. Balderston. Baseado em história de Nina Wilcox Putnam e Richard Schayer.

Elenco: Boris Karloff, Zita Johann, David Manners, Edward van Sloan.

Sinopse: O enredo do filme se passa em 1921, uma equipe de arqueologistas no Egito liderados por Sir Joseph Whemple (Arthur Byron) descobre a múmia do príncipe Imhotep (Boris Karloff), que vivera há 3.700 anos e que, por ter cometido um sacrilégio, teve como castigo ser enterrado vivo. Também foram encontrados manuscritos que tinham o poder de fazer os mortos ressuscitarem. Uma noite um dos membros da expedição lê os manuscritos e traz o príncipe de volta à vida. Após dez anos, Sir Joseph retorna com seu filho Frank (David Manners). Eles ignoram que Imhotep agora existe e se faz passar por Ardath Bay, um egípcio contemporâneo que ajuda a expedição que descobre a tumba do seu milenar amor, uma princesa que reencarnou em Helen Grosvenor (Zita Johann), uma bela e jovem mulher.

Trailer

Por: Michael Kaleel.

  

Postar um comentário