17 de junho de 2017

Crítica: A Múmia (2017)


Atenção: O post contém alguns spoilers.

Os primeiros passos do cinema no início do Século XX foram alavancados pela Universal e seus filmes de horror, altamente comercializados e eternizados até hoje por seus icônicos personagens. Na década de 20, ainda durante o cinema mudo, foram lançados O Corcunda de Notre-Dame (1923) e O Fantasma da Ópera (1925), os dois primeiros. Durante a transição para o cinema falado na década de 30, foram lançados Drácula (1931), Frankenstein (1931), A Múmia (1932), O Homem Invisível (1933), A Noiva de Frankenstein (1935) e na década seguinte, O Lobisomem (1941). Claro que esses não foram os únicos, mas foram definitivamente os pilares do terror, influenciando até hoje as produções no geral.

A Múmia (2017) é o primeiro filme da iniciativa Dark Universe, um novo selo da Universal onde ela reviverá seus icônicos monstros em reboots com universo compartilhado, entrando na onda dos manufaturados e intermináveis filmes de heróis que marcam a atual década. Esta é a terceira adaptação oficial da história, previamente refilmada no divertido A Múmia (1999), que se tornaria uma trilogia com O Retorno da Múmia (2001) e A Múmia 3 - A Tumba do Imperador Dragão (2008).


Estrelado pelo cinquentão preservado Tom Cruise no papel Nick Morton, um soldado que aproveita as situações para pegar relíquias e vendê-las no mercado negro. Junto com seu parceiro Chris (Jake Johnson, Jurassic World), ele descobre uma antiga tumba egípcia no meio do Iraque, onde ficava a Mesopotâmia. Logo se descobre que a tumba aprisiona a Princesa Ahmanet (Sofia Boutella, Kingsman - Serviço Secreto), uma antiga princesa egípcia que matou seu pai, sua esposa e o filho recém-nascido após fazer um pacto com Set, o Deus da Guerra, em busca de poder.

Com ajuda da arqueóloga Jenny Halsey (Annabelle Wallis, Annabelle), ele leva a grande tumba de volta à Londres num avião. No trajeto, a turbina dá falha e o veículo é atacado por um grande bando de corvos, levando à queda. Todos morrem, com exceção de Jenny. No entanto, Nick acorda no necrotério. Vivo e sem nenhum arranhão. Ele descobre que está sob influência da Princesa Ahmanet, que planeja usá-lo como receptor para a reencarnação de Set.

Infelizmente, o filme é uma série de erros que poderiam ter sido facilmente evitados pelos roteiristas. O roteiro não apresenta nada de novo, tudo soa como uma mistureba de vários clichês de filmes de ação e terror que todos já vimos antes. Isso faz com que a produção fique extremamente desinteressante. Personagens despertando mal antigo? Ok. Vilã fazendo vítimas e destruindo geral, com efeitos especiais caríssimos? Ok. Tom Cruise correndo por sua vida como se nada mais importasse? OK.


Tem vários detalhes que me fizeram perguntar o seguinte: "Quem achou que isso seria uma boa ideia?". Há um choque muito grande de interesses no enredo, ele tenta ter uma história mais dark, uma adaptação séria do longa de 1932, mas ao mesmo tempo insere elementos humorísticos que não batem com o clima e ainda tenta flertar com o horror, já que é um trabalho que se origina do gênero. A mistura disso tudo não combina e é bem indigesta.

Exemplos disso é o personagem de Jake Johnson, o alívio cômico do elenco, que acaba sendo morto antes da metade da projeção. Numa homenagem à Um Lobisomem Americano em Londres (1982), Chris reaparece para Nick diversas vezes, só que morto. Mas ele continua com as piadinhas! Tudo bem que a intenção era homenagear mas não se encaixa e quebra o clima (que já não existe) em vários momentos.

Outro ponto que prejudica bastante o longa é a própria personagem-título, a primeira múmia a ser interpretada por uma mulher. A vilã é incrivelmente desperdiçada e por incrível que pareça soa mais inofensiva que o esperado. Não há um destaque muito grande para a personagem e nada que a história apresenta é suficiente para vender o peixe. Claramente não temos aqui um filme de terror, mas mesmo como uma película de ação, a Múmia é apagada e ofuscada por outros detalhes que a história faz questão de apresentar.


A Múmia comete erros comuns em filmes atuais que compartilham universo. Este erro se torna mais grave ao vermos que este é o primeiro e tem que estabelecer terreno para outros que virão, o que acaba chamando mais atenção do que a própria história não-lá-original do filme! As conexões com os outros personagens, referências e a participação do personagem Dr. Jekyll (Russell Crowe) são mais interessantes do que o arco da Múmia!

As tais referências não são muitas mas se você prestar atenção, pode reconhecê-las. No prédio da Prodigium, podemos ver a mão da Criatura da Lagoa e uma caveira de um vampiro. Numa cena de luta, Jenny se defende com o Livro dos Mortos apresentado em A Múmia (1999), sugerindo que a trilogia se passa no mesmo universo. Dr. Jekyll diz "Bem-vindo a um novo mundo de deuses e monstros", mesma fala de A Noiva de Frankenstein, próximo filme do Dark Universe.

A direção de Alex Kurtzman é caótica e nada marcante. O cara chega a repetir tomadas do filme de 1999 e não consegue nem conduzir os atores em cenas envolvendo diálogo, deixando as atuações deles piores ainda! Me lembro da Annabelle Wallis em Annabelle (2014) e adorei a performance dela naquele filme que todos sabemos que não é nada bom. Mas aqui a moça sai canastrona, talvez mais que o próprio Tom Cruise!


É uma pena pois o Dark Universe começa com o pé esquerdo, num filme cujo único adjetivo que eu posso pensar no momento é "ruim". Quem acompanha as notícias sabe que a bilheteria não foi tão boa quanto esperada, arrecadando $183 milhões de um orçamento de $125 milhões, até o momento. A iniciativa ainda está de pé, mas é difícil prever se todos os filmes planejados chegarão aos cinemas, depende do desempenho final desse e dos próximos.

Aqui temos um blockbuster superficial e exagerado, que poderia se beneficiar de uma abordagem mais simples para ser mais eficiente, o que não é o caso. Não acho que chega nem a ser um filme divertido, pois ele ainda tem comer muito feijão para ser considerado isso. Como falei, as conexões com os outros filmes são mais interessantes que a história em si. O filme não é sobre A Múmia, é sobre o Tom Cruise, e parece que o roteiro foi escrito em volta do ator. Se vocês querem ver um filme da Múmia, assistam de novo o de 1999 que é muito mais divertido e em conta!

por Neto Ribeiro

Título Original: The Mummy
Ano: 2017
Duração: 107 minutos
Direção: Alex Kurtzman
Roteiro: David Koepp, Christopher McQuarrie, Dylan Kussman
Elenco: Tom Cruise, Annabelle Wallis, Sofia Boutella, Jake Johnson, Russell Crowe

3 comentários :

  1. Sou fã do filme de 1999 e sinceramente lamentei ter gastado meu dinheiro no cinema para asisstir essa nova versão. Esperava infinitamente mais, as cenas são fracas, a múmia é fraca, o roteiro é fraco.
    Com certeza o filme de 1999 vale muito mais a pena.

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  2. Eu deixei de assistir a Mulher Maravilha pra assistir esse filme. Concordo com tudo o que fora mencionado aqui na crítica! Amo vocês! <3

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  3. O filme quer ser terror, ação e comédia tudo ao mesmo tempo e acaba não sendo nada (Estou procurando o "Dark" até agora).a Múmia tem tantos poderes que não servem pra nada, não assusta nem se impõe. O nome do filme devia ser Tom Cruise ou nome da personagem dele no filme

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