13 de julho de 2017

Crítica: Audition (1999)


Atenção: Este post contém spoilers sobre o filme.

Decidi me aventurar vendo alguns filmes de horror asiáticos. O cinema oriental vem dando de lavada no ocidental principalmente no gênero terror e isso não é de hoje. Resolvi conferir um dos mais elogiados da safra, Audition, conhecido também como O Teste Decisivo. O filme foi o que consagrou o cineasta Takashi Miike, que fez outros filmes elogiados depois dele como Ichi - The Killer (2001) ou Ligação Perdida (2003).

Tenho que falar aqui mesmo no início do post que minha opinião não será a mesma que você encontrará em outras críticas, rasgando elogios para o filme. Quero então aproveitar o post para iniciar uma discussão nos comentários com vocês, caso concordem ou discordem.

A premissa de Audition é bem simples: Um viúvo, Aoyama (Ryo Ishibashi), é incentivado pelo filho a procurar uma nova mulher, pois segundo o mesmo, ele já está ficando velho e deve seguir em frente em relação à morte da esposa há cinco anos. Seu amigo Yoshikawa (Jun Kunimura) tem a ideia de montar uma audição para um suposto filme onde Aoyama poderá encontrar uma pretendente. Dentre elas, ele conhece Yamazaki (Eihi Shiina), uma tímida ex-bailarina, com quem logo se apaixona. 

Um pouco mais de uma hora do filme é dedicado à exploração do relacionamento de Aoyama com Yamazaki. Talvez se você assisti-lo por acaso possa até pensar que é um filme de drama ou romance, pois não há detalhes que assemelham-o a um filme de terror. Há algumas cenas bem estranhas, mas elas só começam a dar as caras no fim dessa fase da história.

Bizarro pra caralho.

Então, como você pode perceber pelas fotos ou cartazes, há algo de errado com Yamazaki. Saber disso estraga um pouco a concepção final da obra, pois o impacto é reduzido. Claro que ainda há um impacto sim, não pela "reviravolta" mas sim pelo conteúdo gráfico presente numa cena violenta que se estende pelos 20 minutos finais da projeção.

Há um certo detalhe que chegou a me impressionar pela sutileza e simplicidade da cena: vemos em alguns pontos Yamazaki em seu apartamento esperando o telefone tocar com um grande saco no fundo... que se mexe. Acho que o silêncio e montagem da cena chegou a ser mais aterrorizante do que o infame final.

E por falar no final... Eu me atrevo a dizer que é uma das sequências mais bem dirigidas do gênero. Há uma morbidade tão grande quando Yamazaki dopa Aoyama e o tortura. Isso se dá por dois fatores: a ausência de uma trilha sonora e a composição da personagem com auxílio da atriz. Então não esperem algo gratuito, a cena incomoda bastante e é impossível não arquejar em alguma das tentativas de Yamazaki em ferir o parceiro.

A sequência se dá início a partir do momento em que Aoyama é drogado através de seu whisky. Então vemos várias cenas desconexas com uma outra mas que tem bastante efeito por sua natureza violenta, já que é o segundo glimpse de violência que vemos no filme (o primeiro sendo um moço falando sobre um assassinato num bar). 

Como o ápice de Audition é o seu final brutal, emblemático e talvez pessimista, eu acabei me encontrando num dilema. Pensei bastante: Eu gostei ou não? Claramente não é um filme ruim e vale a pena ver só pelo final. Mas acho que se eu tivesse visto completamente às cegas sem saber de nada sobre o enredo, teria gostado mais pois a estrutura da história funcionaria bem melhor. Acho que foi válido trazer uma opinião diferente, embora claramente não seja a que eu esperava ter.

por Neto Ribeiro

Título Original: Audition
Ano: 1999
Duração: 113 minutos
Direção: Takashi Miike
Roteiro: Daisuke Tengan
Elenco: Ryo Ishibashi, Eihi Shiina, Jun Kunimura

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