6 de julho de 2017

Crítica: Contágio Letal (2013)


Há alguns anos, assisti um filme americano chamado Contracted. Na época, era um filme não muito conhecido entre as massas mas entre pequenos grupos de fãs de terror sabia-se da existência. É uma produção pequena e independente, uma nova visão no body-horror, subgênero que explora a degradação do corpo humano, como A Mosca (1986) e Cabana do Inferno (2002). Agora ele entrou na Netflix e eu acho que é válido comentar sobre o mesmo.

Acontece que Contracted é um puta filme nojento. Há piores que ele? Sim, existem filmes mais exagerados que podem te chocar 10x mais do que ele, mas é um filme simples e que cumpre sua tarefa. A trama é explorada sob o ponto de vista da Samantha (Najarra Townsend), uma moça que durante uma festa, é drogada e transa com um desconhecido e nos dias que se seguem, descobre que contraiu uma bizarra doença.


Primeiramente, é um filme interessante pois há uma óbvia relação com as DST's e pode te fazer realmente pensar duas vezes antes de fazer sexo sem camisinha, rs. Mas, como qualquer body-horror, o propósito de Contracted é fazer o público soltar arquejos de nojo em diversas cenas. A deterioração lenta de Samantha, uma moça muito bonita, chega a ser chocante e triste.

Creio que grande parte da efetividade do filme vem devido à direção de Eric England (Madison County), que sabe como conduzir principalmente as cenas em que Sam descobre feridas ou algo do tipo. Um exemplo é a cena em que Sam descobre que suas unhas estão caindo, puta que pariu que agonia.

O que eu achei legal do filme é que o roteiro se importa em desenvolver a protagonista, pois enquanto ela sofre, nós sofremos com ela. Neste quesito, o drama importa bastante pois não torna o que está acontecendo com ela algo explícito e gratuito. Há bastante comparações com um filme canadense chamado Tranatomorphose, que tem uma história semelhante, mas ainda não o conferi para tirar minhas conclusões e comparar nada.


Em contrapartida, os outros personagens são irritantes e as relações que Sam tem com eles atrapalham mais do que ajudam. Li em algum lugar que a ideia inicial de England era trazer uma premissa relacionada à perca da virgindade. Creio que seria um filme mais interessante, pois teria uma estética e uma abordagem mais diferente. Talvez até a mensagem do longa se destacasse ainda mais, pois aqui subentendemos que há uma certa alegoria com o estupro que a personagem sofreu no início, mas não há aprofundação no tema e isso acaba soando mais vago do que o necessário.

Muitos não gostaram de Contracted, mas por ser um filme simples e com uma boa direção, ele traz uma história de horror forte, com bons efeitos visuais e um desfecho surpresa, que embora mude toda a intenção e talvez interpretação da história, consegue surpreender. Há sim, muitos detalhes que poderiam ter sido melhorados, mas acho que os acertos prevalecem.

Para quem não sabe, o filme recebeu uma sequência, Contracted: Phase II, que se passa exatamente após o fim deste e acompanha o melhor amigo de Sam que transou com ela e adquiriu a doença. Ela é bem inferior, mais exagerada e que leva a história à patamares desnecessários, envolvendo epidemia e terrorismo.

por Neto Ribeiro

Título Original: Contracted
Ano: 2013
Duração: 78 minutos
Direção: Eric England
Roteiro: Eric England
Elenco: Najarra Townsend, Caroline Williams, Alice Macdonald

2 comentários :

  1. Já havia visto esse filme no catálogo da Netflix, mas nunca assisti. Vou conferir :)

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  2. Ainda não assisti esse filme, todavia, já pude conferir Thanatomorfose e de fato, pela sua descrição do filme e pelo que eu vi em Thanatomorfose, ambos os filmes se assemelham um pouco realmente, enquanto lia, lembrei na hora no longa canadense

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