14 de julho de 2017

Crítica: Dark Water - Água Negra (2002)


Continuando minha maratona j-horror iniciada com Audition (1999), o próximo filme da lista foi o Dark Water, dirigido pelo Hideo Nakata, também responsável pela versão original de O Chamado. O filme não é um dos mais conhecidos apesar de elogiado e de inclusive ter recebido um tratamento americano através do remake Água Negra (2005), estrelado pela Jennifer Connelly e dirigido pelo brasileiro Walter Salles. Acontece que, apesar de eu não ter achado excelente, o filme possui algumas características que eu admiro bastante no horror oriental.

Vamos primeiro à história: Yoshimi (Hitomi Kuroki) é uma mãe que está passando pelo processo do divórcio onde seu impiedoso marido tenta a todos os custos tomar a guarda da pequena Ikuko (Rio Kanno), embora não fosse presente antes da separação. Ela se muda para um novo apartamento onde provará que pode criar a filha sozinha. No entanto, Yoshimi descobre que o prédio esconde um passado e a chave para esse mistério está no desaparecimento de uma garota que morava no apartamento acima do seu.

Embora acabe nas comodidades do gênero, Dark Water acerta no seu roteiro ao estabelecer uma confiável relação entre a protagonista e sua filha, conectando facilmente os personagens com o público. Essa relação se mostra ser a verdadeira prioridade do filme e é definitivamente um prol no desenvolvimento do roteiro, pois deixa o desfecho mais impactante.


A produção não investe em sustos baratos nem aparições gratuitas de fantasmas e as poucas que existem são efetivas, como a que Yoshimi entra no apartamento acima do seu à procura de sua filha enquanto ele está com um forte vazamento ou até mesmo o final, pois Nakata não entrega demais antes do seu devido tempo.

Porém, eu não consegui sentir medo ou aflição em nenhuma cena. E isso para mim importa pois muitos filmes asiáticos me provocaram isso como o Ringu (1998), Medo (2003) ou o recente O Lamento (2016). A história está toda lá, é bem contada, bem dirigida, mas faltou aquele empurrãozinho pra se tornar algo memorável, pelo menos para mim.

Por falar de Ringu, o filme compartilha algumas semelhanças com a obra anterior de Nakata, como por exemplo o uso constante e simbólico da água e até mesmo o trágico destino da garotinha da capa amarela. Também notei algumas semelhanças com o americano O Chamado 2 (2005), que também foi dirigido por Nakata e chupou alguns detalhes (e talvez cenas) de Dark Water.  SPOILER Aliás, tenho que comentar que achei um pouco bobo o que aconteceu com ela. Por que diabos ela iria no telhado abrir a caixa d'água?

No geral, Dark Water é uma boa história de fantasma. É contida, simples e efetiva, mas nada mais que isso. Como falei, creio que faltou mais força, pois sob os olhos de um espectador que já viu de tudo, o filme não impressiona muito mas também não faz feio. Ele tem sim seus méritos, sendo o maior deles se desviar de algumas conveniências do gênero e o uso do drama ao seu favor, e por isso deve ser reconhecido.

Para quem ficou curioso, o filme encontra-se completo no Youtube. Você pode assisti-lo aqui.

por Neto Ribeiro

Título Original: Honogurai mizu no soko kara
Ano: 2002
Duração: 101 minutos
Direção: Hideo Nakata
Roteiro: Ken’ichi Suzuki, Yoshiro Nakamura
Elenco: Hitomi Kuroki, Rio Kanno, Mirei Oguchi, Asami Mizukawa, Fumiyo Kohirata, Yu Toki

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