5 de julho de 2017

Crítica: Demons 3 - O Ogro (1988)


"No fim, o herói mata o ogro quando o herói salvar a heroína". 

Demons: Filhos das Trevas, é um ótimo filme, trás diversão e muito correria dentro de um cinema onde o público começa a se transformar em demônios grotescos e sedentos de sangue. Demons 2: O Pesadelo Retorna, tem basicamente a mesma premissa, no entanto, o local da vez é um prédio residencial, inclusive a proposta do filme '[REC]', também Europeu, lembra bastante esse longa. E para fechar a trilogia, temos 'Demons 3: O Ogro', o longa-metragem mais diferentão da trilogia. Mas isso é ruim?... Calma, vamos por partes!

Mesmo que o nome 'Demons 3' esteja nas artes e posteres, seu título é unicamente 'The Ogre' ou 'La casa dell'orco'. Ele é dirigido pelo italiano Lamberto Bava, também um dos diretores dos dois primeiros 'Demons'; É roteirizado pelo Dardano Sacchetti, também envolvido no roteiro dos longas antecedentes a este. E essa dupla trabalhou em muitos outros filmes que, assim como Demons 3, mesmo estando dentro da linha da minissérie de Brivido Gialloe composto por quatro filmes distintos, não são sequências oficiais de Demoni, são eles: 'A Cena col Vampiro' (1987), 'Graveyard Disturbance' (2005) e 'Until Dead' (1987).  A nível de curiosidade, existe um filme produzido por Bava e Sacchetti que se chama: 'Black Demons' (1991), ele, em alguns países, é dito como 'Demons 3'.

A história em si é o que chamamos de 'conto de fada macabro'. É tudo lindo, é tudo bonito, como um sonho, mas é destorcido, assustador e mortal... Basicamente é essa a intenção, é uma ideia bem legal se feita direito. 

Na trama, Cheryl é uma escritora americana de contos de terror, ela viaja com seu marido, Tom, e seu filho Bobby, para uma vila na Itália rural por algumas semanas de férias para que ela possa trabalhar em seu mais novo livro. Nesse vilarejo, ela se hospeda num enorme castelo para ajudar na sua criatividade, mas logo ela começa a perceber que tem algo errado com o lugar. Em meio as suas suspeitas e estranhos acontecimentos, ela vai percebendo que a sua família não está sozinha no castelo.  

Durante a sua estadia no local, Cheryl volta a ter pesadelos de que um ogro horroroso a persegue num porão sujo e velho, esses pesadelos a assombram desde pequena. Com o passar do tempo, ela começa a suspeitar que o ogro que a tormenta em seus pesadelos, está no porão do castelo e de vez em quando ele vaga por entre os corredores da região. 

Mais tarde ela tenta persuadir seu marido cético de que a vila tem uma maldição e está usando seu poder para manifestar seus pesadelos em realidade, incluindo o ogro que está no porão do castelo. Aliás, esse é um ponto alvo de muitas criticas pelo público. Tom é descrito como um homem opressor que agride fisicamente a sua mulher e não dá a minima para o seu trabalho. Notamos isso numa parte em que ele resolve ler uma página do novo livro de Cheryl, e depois que termina de ler, ele amassa a folha como se não fosse nada e joga fora. Outro ponto é justamente na questão da agressão, Tom dá um tapa na cara dela, ela sai furiosa do castelo para esfriar a cabeça, e quando volta, está tudo esquecido e bem.    

A partir daí, Cheryl procura encontrar uma maneira de enfrentar seu medo e de alguma forma derrotar o ogro antes de começar a reivindicar as vítimas. A escritora, quando vai ao vilarejo, conhece Anna e sua irmão ,Maria, a mais nova babá de Bobby. Em minha opinião, uma das melhores cenas do filme envolve Maria... Não é nada grandiosa mas ok, dá um ritmo legal a história. 

  
O filme possui três problemas graves. O primeiro é o titulo enganoso, essa história não tem nada a ver com Demons 1 e 2, então ele pode desapontar o público que esperava aquele filme de demônios/zumbis, porém, isso não é culpa do filme em si, mas sim da tradução italiana para a americana e brasileira. O segundo problema é o ritmo da trama, é tudo devagar, quase parando, ela tem bons momentos aleatórios em meio a muita conversa e expectativa de ver algo realmente bom acontecer. O terceiro problema é o roteiro com os personagens, não são ruins, Sabrina Ferilli tem um carisma e tanto como Anna, Paolo Malco também faz bem o seu papel que foi lhe limitado, mas acontece que não existe um trabalho legal em torno deles, parece um esteriótipo destorcido do que eles deveriam ser. Além disso, a falta de carisma de VIrginia Bryant como Cheryl, é bem nítida e afeta bastante a produção. 

O ogro? Ele até tem um visual legal, mas ele aparece tão pouco que chega até a ser um coadjuvante na história. Poderíamos facilmente dizer que o filme gira em torno de Cheryl e de seu psicológico com relação aos seus pesadelos 'delírios', pressão de escrever um novo livro, a relação com o seu marido, etc. 

Para não dizerem que sou um cara que só enxerga o lado negativo das coisas, vou dar aqui três pontos que eu realmente gostei: Uma é o visual do ogro, está bem assustador, é um tipo de monstro que se você visse numa rua, você urinaria nas calças. Dois, a trilha sonora é muito boa, a musica tema dá uma aflição e é tão gostosa de se ouvir ao mesmo tempo. A terceira coisa é a ambientação, essa ideia de castelo assombrado com um monstro no porão... Acho charmoso e bem legal, os cenários do filme são muito bonitos, é um toque italiano muito legal de se ver. 

Juntado tudo o que foi dito aqui, podemos afirmar que 'Demons 3 - O Ogro' é um filme triste, não tem emoção alguma e é lento demais... Não é uma porcaria, mas precisa ter paciência ao assisti-lo. Da trilogia, ele é o ponto fraco, por isso, a nota para ele é: 4,0. 


FICHA TÉCNICA 

Titulo Original: 'The Ogre' ou 'La casa dell'orco'.

Titulo Americano: 'Demons 3: The Ogre' ou 'The Ogre'. 

Titulo Nacional: 'Demons 3: O Ogro'

Diretor: Lamberto Bava.

Roteiro: Dardano Sacchetti.

Elenco: Virginia Bryant, Paolo Malco, Sabrina Ferilli, David Flosi, Patrizio Vinci.

Sinopse: Com o marido e o filho, famosa escritora de terror vai passar as férias em um antigo castelo no interior da Itália. Lá, descobre que um monstro que sempre a atormentou nos pesadelos existe e está vivo, no porão da mansão.


Por: Michael Kaleel. 

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