15 de julho de 2017

Crítica: Espíritos - A Morte Está ao Seu Lado (2004)


Antes que o subgênero sobrenatural se tornasse moda nos Estados Unidos após James Wan explodir as bilheterias com Sobrenatural (2011) e Invocação do Mal (2013), haviam-se alguns exemplares que pouca gente dava valor mas que hoje, acima de tudo, merecem nossa atenção. Esqueça esses ripoffs americanos preguiçosos. Aqui vos apresento um dos melhores filmes sobrenaturais e talvez um dos melhores filmes de terror de sua década.

Esta produção tailandesa lançada como Espíritos (mas no original Shutter, que significa obturador, da câmera pra ser mais específico) é um filme bastante curioso pois ao assisti-lo, mesmo com uma grande bagagem do gênero, é possível reconhecer que o roteiro é original e sabe apresentar uma verdadeira história de terror. Inclusive, inúmeras ideias deste filme chegaram a ser reaproveitadas em outras produções, como O Grito 2 (2007) e Mama (2013) por exemplo.

A trama de Espíritos segue um jovem fotógrafo, Tun (Ananda Everingham) e sua namorada Jane (Natthaweeranuch Thongmee), cujas vidas mudam após um acidente onde eles batem em uma moça e ele resolve sair sem prestar ajuda. Jane fica se sentindo culpada pelo ocorrido, o que faz com que Tun confira se a moça morreu ou alguém a ajudou, mas não há registro de nada.


As coisas começam a ficar realmente estranhas quando alguns trabalhos de Tun são interferidos por manchas brancas que aparecem em suas fotos. Como se não fosse o bastante, os melhores amigos de Tun começam a morrer sob circunstâncias misteriosas. Não demora para que Jane perceba que há uma conexão entre os acontecimentos e perceba que há algo que Tun esconde dela.

O filme chegou a ser refilmado em 2008 com um elenco americano no péssimo Imagens do Além, um filme sem sal e sem inspiração que não consegue reproduzir um por cento da atmosfera de medo que Espíritos possui. Isso por que tem que ser cuidadoso pra que um filme desse estilo não caia no comodismo do gênero, é importante estabelecer um clima assustador para que os sustos sejam mais eficientes.

Por causa disso, os diretores não se apoiam apenas nos sustos, embora eles ocorram e sejam assustadores! É interessante salientar como eles utilizam de técnicas como iluminação e o som pra construí-los e talvez por isso eles funcionam tão bem. Mas sabe o que ajuda bastante também? A aparência da fantasminha camarada que persegue os personagens. Não temos apenas uma garotinha asiática pálida com cabelos longos, mas sim uma maquiagem fudida com direito a sangue nos olhos e feridas na pele. Como se não bastasse, os diretores a colocam em posições aterrorizantes, desde andar no teto a perseguir o protagonista numa escada de incêndio abaixo. As cenas são muitas e bem memoráveis e o modo que eles a usam é 100% correto.


Espíritos explora bastante uma forma de conectar o espectador à história que lhe apresenta e além de adotar técnicas já utilizadas por seus conterrâneos asiáticos, este filme tailandês consegue exatamente fazer o que muitos filmes ocidentais não conseguem: medo. Hoje em dia eu sinceramente não tenho mais tesão em ver esses milhões de produções que envolvam fantasmas, demônios, entidades ou o caralho a quatro porque elas quase nunca apresentam um conteúdo realmente interessante. Claro que há exceções mas no geral, é um subgênero morto para mim. É por isso que eu recorro ao cinema oriental que são experts nas mais diversas e criativas histórias, sejam no sobrenatural ou em outros estilos de horror, como Eu Vi o Diabo (2010), um dos melhores filmes do gênero policial/terror que eu já cheguei a ver.

Não basta toda a trajetória e desenrolar do mistério que o filme todo acompanha, ainda temos uma bela surpresa no final de doer a espinha (eu tinha que soltar essa). O que faz Espíritos ser tão bom no que se propõe é que ao invés de investir em sustos baratos, ele entrega medo e acreditem, poucos filmes do gênero conseguem fazer isso. Não temos os chamados cheap thrills, então se quer se assustar mesmo, este é o filme que deve procurar.
por Neto Ribeiro

Título Original: Shutter
Ano: 2004
Duração: 97 minutos
Direção: Banjong Pisanthanakun, Parkpoom Wongpoom
Roteiro: Banjong Pisanthanakun, Parkpoom Wongpoom, Sopon Sukdapisit
Elenco: Ananda Everingham, Natthaweeranuch Thongmee, Achita Sikamana

3 comentários :

  1. Esse filme é sensacional! 10/10

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  2. EU AMO ESTE FILME!!! Na época do lançamento eu TINHA 12 ANOS!!! kkkkkkkkkkkkkk pense num trauma! Ameiiiiii.

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