24 de julho de 2017

Crítica: Jogos Mortais (2004)


Vamos jogar um jogo. 

Aproveitando que o novo Jogos Mortais - subtitulado Jigsaw - chega nos cinemas em três meses, resolvi revisar a franquia e completar as críticas aqui no blog. A série foi iniciada em 2004, com esse filme. Jogos Mortais é considerado um sleeper hit, um tipo de filme que arrecada horrores e ninguém pensava que o mesmo faria, sacaram? Com grandes comparações à outros excelentes suspenses policiais como Se7en (1995), o longa acabou arrecadando $104 milhões a partir de um orçamento miserável de um pouco mais de $1 milhão. Isso que é lucro. O lucro foi tanto que rendeu 7 sequências (uma inédita).

Bom, o primeiro filme começa com dois caras acorrentados em um banheiro. Os dois não se lembram como foram parar ali e o por quê. No meio do banheiro, há um terceiro cara, morto. Quando uma televisão, em uma das paredes, mostra um boneco que dita as regras de um jogo sádico que eles tem que jogar, a luta contra o tempo parece cada vez mais brutal, quando apenas um poderá sair de lá vivo.


Muita gente julga a franquia pelas suas continuações inferiores. Mas, esse primeiro filme é o único que realmente possui uma reviravolta surpreendente, tem dois personagens do qual você realmente se importa e um plot misterioso e angustiante, que se alterna entre várias histórias, mostrando-se no final, conectadas. O roteiro acerta exatamente por desenvolver esses dois personagens e o público facilmente se conecta com pelo menos um deles, o que é importantíssimo.

Acho que o que faz esse primeiro filme ser bom é sua originalidade, coisa que foi se perdendo em suas intermináveis continuações. Tudo era novo: os jogos, as reviravoltas, as mortes. Foi isso que fez o filme ser tão atrativo. As armadilhas embora presentes não são o foco pois a história tem prioridade. Nesse filme, as jogadas de câmera "videoclipadas" e ofuscantes mostravam agonia e não era uma coisa irritante, o que veio a ser nos outros filmes. James Wan, em seu início de carreira, já mostrava que era um ótimo diretor.

Como falei, o foco não está nas armadilhas, mas elas fazem suas aparições aqui. Aliás, como não ficar agoniado com a luta de Amanda (Shawnee Smith) para tirar aquela máquina da cabeça antes que exploda seu crânio ou o carinha preso na sala de arames? Gosto das mortes desse primeiro filme por que não é uma coisa surreal, as armadilhas em si são simples, detalhe abandonado nas sequências, como o carrossel no sexto e a fornalha gigantesca no sétimo.


A narrativa dele não é linear, mas é bem construída. E apesar de ser apenas o primeiro capítulo de sete, o primeiro Jogos Mortais serve como uma ótima base para a franquia, que logo foi se perdendo. Depois do terceiro, talvez o único filme que ainda me agradou foi o sexto, Jogos Mortais 6 (2009). Não pelas mortes e tal, mas por ainda tentar trazer um pouco de suspense à história.

Jogos Mortais pode ter sua reputação manchada pelas continuações, mas é um filme íntegro e original, uma forma correta de fazer uma história de terror nova capaz de chocar o público sem se vender barato. Com a ajuda de um roteiro bem escrito e uma direção excelente, ele se tornou um marco e um dos melhores filmes da década.

Curiosidades:

- Foi filmado em 18 dias.

- Baseado em um curta, escrito e dirigido pelos mesmos responsáveis do filme, lançado em 2003, estrelado pelo Leigh Whannell. Tendo 10 minutos de duração, o curta utiliza a sequência da armadilha de Amanda, aqui sendo trocada por um homem chamado David (Whannell).

- A sequência, Jogos Mortais 2 (2005) foi aprovada na semana de estreia do filme.

- James Wan, diretor do filme, queria que as câmeras refletissem as emoções dos personagens. Dr. Gordon (Cary Elwes) era filmado com uma câmera mais firme, enquanto Adam (Leigh Whannell) era filmado com uma câmera trêmula.

- Todas as cenas do banheiro foram filmadas cronologicamente para os atores sentirem o que os personagens estavam passando.

- A pré-produção do filme durou apenas 5 dias.

- Os atores não tiveram nenhum ensaio.

- Shawnee Smith (Amanda) gravou todas as suas cenas em um dia.

- Foi filmado para ser lançado direto em DVD. Porém, após a aprovação do público em testes de exibição, foi lançado nos cinemas.

- A cena em que Adam coloca sua mão em um sanitário cheio de fezes foi uma homenagem ao filme Trainspotting - Sem Limites, de Danny Boyle (Extermínio).

- As duas serras usadas por Cary Elwes e Leigh Whannell no filme estavam muitos desgastadas, então eles tiveram que serrar lentamente para que não quebrassem.

- Indo em contra-mão aos filmes de horror populares, todas as vítimas do filme são homens.

- James Wan não queria que o filme fosse um torture-porn, ou pornô com tortura, em tradução livre.
por Neto Ribeiro
Crítica publicada em 10/01/15.
Título Original: Saw
Ano: 2004
Duração: 103 minutos
Direção: James Wan
Roteiro: Leigh Whannell
Elenco: Cary Elwes, Danny Glover, Leigh Whannell, Monica Potter, Tobin Bell, Shawnee Smith

Postar um comentário