11 de julho de 2017

Crítica: A Mão que Balança o Berço (1992)


A mão que balança o berço é a mão que governa o mundo. 

A crítica de hoje é destinada a um filme que eu adoro, um suspense de qualidade que com certeza merece ser relembrado, embora não seja. Ao entrar na Netflix, me deparei com A Mão que Balança o Berço. Vi esse filme há um tempão e lembro de ter adorado tudo nele. Como fazia anos que eu havia visto, resolvi assistir novamente e adivinhem só? Ainda adorei. Não tudo nele, claro, mas ainda é um filmão que qualquer fã do gênero pode se agradar.

Há uma forte influência no tema deste filme vinda de um subgênero que marcou o início da década de 90. Enquanto os filmes de terror iam cansando o público, as produtoras viam nos thrillers eróticos uma nova oportunidade. Embora não seja tão explícito quanto seus companheiros, A Mão que Balança o Berço adota várias características do mesmo, começando pela femme fatale, aqui assumida pela extraordinária Rebecca De Mornay.


No entanto, ao invés de uma mulher atraente infernizando a vida do protagonista másculo, temos aqui duas figuras femininas muito bem exploradas pelo roteiro. O ponta-pé inicial da história se dá quando Claire (Annabella Sciorra), uma dona de casa grávida de seu segundo filho, vai fazer exames corriqueiros com seu novo obstetra (John de Lancie). Lá, ela é molestada pelo médico e após denunciá-lo, e ser acompanhada de outras pacientes que fazem o mesmo, ele se mata.

A esposa grávida do médico (De Mornay), ao saber que perderá tudo por conta dos processos além de perder o marido, acaba tendo um aborto, perdendo também seu filho. Dois meses se passam, Claire já teve seu filho e por recomendação do marido Michael (Matt McCory) decide procurar uma nova babá. É quando ela conhece acidentalmente Peyton Flanders, uma simpática e adorável moça que encanta a família e logo se torna a nova babá. Mas ninguém sabe que ela é a verdadeira viúva do médico e está ali para ter sua vingança.

Sob os olhos de hoje, 25 anos depois, o impacto do filme pode sim ter se dissipado um pouco pois tivemos trocentas produções utilizando as mesmas técnicas, inclusive uma em particular que eu quero comentar mais a frente. Mas acontece que A Mão que Balança o Berço tem aquele clima único de suspense do Supercine dos anos 90 que não se fazem mais hoje em dia. Só por isso, já merece destaque.


A forma que o filme trabalha o suspense é bem interessante. Durante boa parte da projeção, vemos Peyton fazendo pequenas coisas, sugerindo, provocando. Isso faz com que o público saiba do que ela é capaz sem ela ter feito nada realmente. Isso também faz com que toda vez que ela entre em cena, roube a atenção e nos faça roer a unha tentando descobrir o que ela vai fazer em seguida. Há momentos discretos, como a cena em que Peyton entra no quarto do bebê com um almofada. Mas esses momentos servem para que fiquemos roendo a unha, pois junto da boa direção do oscarizado Curtis Hanson (Los Angeles - Cidade Proibida)

O script escrito por Amanda Silver (Jurassic World) também acerta por trabalhar as duas personagens principais e pôr-las num mesmo patamar. Nós conhecemos Peyton, sabemos que ela perdeu tudo e sabemos seus motivos, assim como sabemos que Claire não fez nada de errado. Isso acaba causando um efeito positivo no público pois Peyton se torna carismática, aliás, todas as boas vilãs são, estou errado?

Revendo, é possível notar umas coisinhas aqui outras acolá, mas que não fazem com que o filme seja menos bom. Seja elas algumas incoerências do roteiro como a mãe super supersticiosa com um monte de babás dar a vaga para uma desconhecida que conhece na rua. Ou até mesmo os planos de Peyton contar com todas as coincidências do mundo, mas não é nada muito descarado e que dá facilmente para se relevar.


Agora se lembram do filme que eu disse parágrafos acima ser extremamente parecido com esse? Estava falando de A Orfã (2009), outro ótimo suspense bem conhecido pelos fãs do gênero e que notei ter copiado umas coisinhas daqui. Nunca nem tinha percebido nada, mas ao rever, notei como a estrutura geral do roteiro são semelhantes. Desde as artimanhas e manipulação de Peyton e Esther até mesmo uma sequência idêntica onde ambas as personagens estão em um box de banheiro e extravasam, aos gritos e pancadas.

O desempenho do elenco é outro ponto a se destacar. Além de De Mornay, ainda temos a ótima Annabella Sciorra no papel de Claire, que faz o seu dever e não desaponta. Quem ainda dá as caras é Julianne Moore, em seu segundo crédito no cinema, no papel da melhor amiga de Claire, Marlene. A personagem é bem carismática, além da atriz também ser, e poderia ter tido mais tempo em tela.

Eu não tenho muito o que reclamar de A Mão que Balança o Berço, pois apesar de funcionar principalmente pelo saudosismo, o filme não envelheceu mal e todos aqueles que adoram thrillers como este irão estar satisfeitos assistindo ou re-assistindo. 

por Neto Ribeiro

Título Original: The Hand That Rocks the Cradle
Ano: 1992
Duração: 110 minutos
Direção: Curtis Hanson
Roteiro: Amanda Silver
Elenco: Annabella Sciorra, Rebecca De Mornay, Matt McCoy, Ernie Hudson

4 comentários :

  1. Bom thriller época , hj bem datado , mas nunca use CLIMA DE SUPERCINE q sempre foi algo negativo p analisar qualquer filme !

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    1. Isso nem sempre pode ser algo negativo, tem muitos filmes com clima de Supercine que são bons, inclusive esse.

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  2. Muitos super cine foram ótimos!!

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  3. Um dos melhores suspenses da década de 90. Não acho um filme datado. Filmes super datados são os Fuga de Nova York e Fuga de Los Angeles.

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