3 de julho de 2017

Crítica: O Ataque dos Vermes Malditos 5 - Linhas de Sangue (2015)


Aqui estou eu outra vez para falar de um filme curioso. Quer dizer, de outra sequência de um filme curioso. Trata-se de um longa-metragem que tem um conceito divertido e que consegue atrair o seu público. A sua história gira em torno de pessoas que são obrigadas a lutar contra criaturas que se festejam por baixo da terra, pelo menos no primeiro filme. Sim, estou falando de "O Ataque dos Vermes Malditos". Nos Estados Unidos ele se chama "Tremors", em tradução direta, 'Tremores', que é justamente o que acontece quando os monstros estão se aproximando, ou também quando há ondas sísmicas que são capturadas pelos sismógrafos quando as criaturas estão por perto.

Bem, não discutirei o clássico estrelado por Kevin Bacon, nem das três sequências sequências. Muito menos falarei de um filme chamado de "O Retorno dos Vermes Malditos" de 2010, que nada tem a ver com a franquia e nada mais é do que uma forma de lucrar sobre a saga original.  Falarei do mais novo filme da franquia lançado em 2015: "O Ataque dos Vermes Malditos 5" ou "Tremors Bloodline", último capítulo por enquanto já que a sexta parte está sendo produzida nesse exato momento.

Enquanto o primeiro filme traz os Graboids, criaturas que parecem minhocas gigantes que correm por baixo da terra como um metrô desgovernado e possuidoras de línguas em forma de cobras, como antagonistas, o segundo longa carrega a segunda forma dessas criaturas, os Shriekers, que são uma versão menor dos Graboids, mas que são terrestres, possuem visão infravermelho, se multiplicam apenas por comer e não têm aquelas línguas em forma de cobras. Dentro de um Graboid possui três Shriekers. Por fim, no terceiro capítulo, os monstros evoluem mais uma vez, como Ass-Blasters (que nome, hein!), podendo até voar, fechando assim o ciclo evolutivo dos vermes malditos, da qual o Ass-Blaster possui ovos que quando chocados, nascem Graboids, assim, reiniciando o ciclo.

Em 2004, a prequel e o quarto capítulo da franquia fora lançado trazendo em seu conteúdo a origem dos Graboids no ano de 1889. Esse foi considerado o filme mais fraco da franquia até então, com efeitos especiais ruins, e uma história meia boca que não agradou muito, e particularmente cheguei a pensar que esse seria a última parte da franquia, afinal, não havia mais o que contar. Sim, sou um eterno ingênuo.

Além dos filmes, também existe uma série que é acompanhada por moradores de 'Vale Perfection' tentando coexistir com um Graboid (El Blanco, o mesmo da terceira parte, ele é estéril, por esse motivo não pode dar origem a Shriekers), ao lidar também com problemas causados ​​por experiências fracassadas do governo, cientistas loucos, ou promotores imobiliários sem escrúpulos. A série tem um total de treze episódios. Curiosamente, uma nova série a respeito dessas criaturas está sendo desenvolvida nesse exato momento.

O quinto longa-metragem não foge da ideia evolutiva dos monstros que foi abordada nos três primeiros filmes, isso era um ponto que me preocupava a respeito desse projeto. Como fazer uma história legal e original já que aparentemente tudo sobre os vermes já fora explorado? A solução achada pelos roteiristas Ogden Gavanski, Brent Maddock e Ron Underwood, foi genial. E sobre a direção de Don Michael Paul, o filme não supera o primeiro, mas fica empatada com o segundo, como um dos melhores da série.

Michael Gross volta mais uma vez (ele está presente tanto nos filmes como na série interpretando o caçador Burt Gummer, exceto na parte quatro quando ele interpreta Hiram Gummer), a interpretar o caçador especialista em armas. Aqui ele recebe um convite para averiguar casos de ataques envolvendo Ass-Blasters na África do Sul, algo inédito até então. O que Burt não contava com que as criaturas da África fossem tão diferentes das criaturas dos Estados Unidos. Elas são mais fortes e evoluídas, esse fato se deve justamente pelo fator geográfico, pois os vermes da África, com o tempo, se adaptaram àquela região no que se diz respeito a clima, vegetação, alimentação, território, etc. Foi uma ideia bem inteligente pela razão de ser um acontecimento presente na vida animal, seguindo a ideia do Darwinismo sobre questões da transmutação das espécies.


Dessa vez, Burt conta com a ajuda de Travis Welker (Jamie Kennedy), um excelente corredor de motocross que, a priori, tem como missão expandir o nome do Burt e documentar as suas caçadas. Travis é um homem carismático que esconde um segredo sobre seu passado. Já os Graboids, agora são maiores, mais rápidos e possuem mais 'armas' mortais, as línguas em forma de cobra são soltas e ficam rastejando por aí, elas pegam as vítimas e levam para os monstrengos, os Ass-Blasters, além de maiores, são mais feios, possuem bocas cheias de dentes e são rápidos. Além disso, eles contam com a ajuda da Dr. Nandi Montabu (Pearl Thusi), chefe da reserva que está sendo atacada pelas criaturas voadoras. 

O filme poderia ser melhor se ele carregasse um pouco mais do terror e menos da comédia. Existem momentos em que a obra se torna um pouco forçada com o humor, como se o diretor estivesse prolongando com cenas desnecessárias e pouco interessantes. Em exemplos, o momento que vemos Burt trancado dentro de uma jaula, ou a de um dos personagens sendo engolido por um Graboid, reaparecendo vivo dizendo que o bicho havia 'cuspido' ele. Outro ponto que considero negativo é o enfoque exagerado em Burt e na subtrama que surge sobre o seu passado. Sério, acredito que nada daquilo tinha necessidade. Seria muito melhor se o filme focasse mais na tensão, como o primeiro da franquia... E num possível ataque de vermes evoluídos em pequenos vilarejos, sem mais enrolação dramática dignas de novelas mexicanas. Não estou dizendo que devemos ignorar os personagens e ir direto para a ação, mas se o desenvolvimento dos personagens fosse feito de uma forma mais coerente e menos oportunista, seria bem melhor.

Entretanto, em meio a esses defeitos, o filme tem grandes acertos, pois os novos vermes estão bem feitos, e algumas mortes são muito legais. Não posso deixar de mencionar a grande nostalgia que é trazida, é como se fossemos transportados para o começo dos anos 1990 e enxergássemos pela primeira vez os vermes malditos, só faltou um pouco da magica e da surpresa, afinal, em 1990 isso era uma novidade. Sim, esse filme vale uma conferida. Nota: 6,5.

FICHA TÉCNICA

Título Brasileiro: O Ataque dos Vermes Malditos 5: Linhas de Sangue.

Título Original: Tremors 5: Bloodlines.

Diretor: Don Michael Paul.

Roteiro: William Truesmith, MA Deuce, John Whelpley.

Elenco: Michael Gross, Jamie Kennedy, Ernest Ndhlovu, Lawrence Joffe.

Duração: 99 min

Sinopse: Burt Gummer está de volta em mais uma aventura. Quando o ministro da vida selvagem da África do Sul pede sua ajuda, Burt e seu novo companheiro, Travis, entram em uma batalha mortal contra os temidos ass-blasters e Graboids.

Por: Michael Kaleel.

2 comentários :

  1. Gostaria que fizessem a critica de Blue Ruin e Sala Verde

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  2. De fato, este 5° filme fica ali lado a lado com o 2°, mas discordo quando diz que o 4° é o mais fraco da franquia, pois este se sai melhor que o 3°, souberam direcionar melhor o baixo orçamento. Quanto ao Gummer, ele sempre foi foda, hehe. Agora, mal posso esperar pela nova série, que contará com a volta de Vail (Kevin Bacon), uhu!

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