5 de julho de 2017

Crítica: O Monstro do Armário (1986)


"Os eventos mais inexplicáveis geralmente ocorrem em lugares comuns. Lugares como a pequena e pacata cidade de Chestnut Hills. Geralmente esses eventos, aparentemente inexplicáveis, são explicados posteriormente. Mas, de vez em quando ficam misteriosamente inesplicável. As vezes é melhor aceitar o inexplicável do que procurar em vão por explicações, pois certas coisas são simplesmente inexplicáveis. O filme que vão assistir, é uma delas."  

Eis aqui um filme curioso. Como vocês perceberam, o texto acima é dito pelo narrador no começo do longa, ele brinca com a ideia central, não se levando a sério, e por esse motivo, ele tem um toque de comédia. As pessoas hoje em dia podem dizer que o filme é todo engraçado, mas em 1986, isso era bem mais assustador. Podemos dizer também que é um longa feito para amedrontar crianças, um adulto vendo a esse filme, não vai ver nada demais, mas para uma criança... É o fim do mundo.    

Fergie, uma das primeiras vítimas do monstro.
O Monstro do Armário é um daqueles filmes da qual assusta uma criança para valer, provavelmente ele fez muitos jovens terem pavor de abrir o seu armário durante os tempos em que ele passava na TV aberta. Mas, para os adultos, esse filme chega a ser ridículo devido as situações e a própria aparência do monstro. No entanto, mesmo com essa visão, os adultos que se contemplaram com esse filme nas tardes do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), devem ter um sentimento nostálgico, o que faz com que esse trash se torne um clássico eternizado por suas reprises. No caso dos Estados Unidos, esse filme passava durante a madrugada, e isso dificultava os jovens de vê-lo, mas que também gerou um sentimento semelhante para quem adora filmes de terror e o viu durante a infância.

Ele é dirigido e roteirizado por Bob Dahlin, que esteve envolvido com o filme 'A Profecia 2' (1978). O elenco é mais interessante, Temos Donald Grant como o protagonista Richard Clack; Denise DuBarry como Diane Bennett; Paul Walker em seu primeiro trabalho para a TV com apenas treze anos, ele interpreta o Prof. Bennett. E também temos a Fergie em um de seus primeiros trabalhos onde ela faz uma rápida participação como Lucy.

No começo da história nos vemos algumas pessoas serem atacadas por alguma coisa. Uma mulher é arrastada para dentro de seu closet, uma garota (Fergie) é atacada dentro do armário enquanto brincava de esconde-esconde, um cego é assassinado após entrar no seu armário em busca de seu cachorro. Esse começo é muito intenso e logo nos dá uma noção do que o filme se trata. Para algumas crianças que viram o filme, vide a pessoa que vos escreve, ficaram traumatizadas com a cena em que o cego abre a porta do armário e o cachorro está morto, pendurado na porta.


Depois disso, passamos para um lado investigativo da situação, em San Francisco, o repórter Clark Kent Richard Clark, do jornal 'Daily Globe, vê nesse caso como um potencial para alavancar a sua carreira no jornal. Ainda no local, ele conhece o jovem Professor Bennett, um garoto inteligente que está ali com a sua mãe que procura alertar as autoridades que as marcas nos corpos das vítimas são idênticas a de picadas de cobra.

Enquanto isso, os assassinatos vão acontecendo, os casos vão ganhando cada vez mais destaque da mídia provocando um pânico generalizado, afinal, ninguém sabe o do que se trata tais mortes. Richard, depois de pegar algo que lembra uma presa na cena do crime, vai até a senhora Bennett para falar a respeito do achado. Na casa dos Bennetts ele conhece o cientista/gênio, mas ao mesmo tempo, louco, Dr. Pennyworth que passa a ajudá-los na investigação.

A situação foge do controle com o ataque do monstro, um toque de recolher é iniciado e muitas pessoas saem da cidade com medo. Um grupo de pessoas constituído por: Richard, Pennyworth, Diane, o Padre Finnegan e o rival de trabalho de Richard, Scoop. Numa das cenas mais lembradas do filme, o grupo sai pelas ruas desertas em busca do monstro, Dr. Penniworth fica tocando algo num tipo de teclado que segundo ele, pode atrair a criatura. Eles não encontram nada, mas o leve suspense e o mistério são muito legais e dão um tom legal ao filme. Para melhorar ainda mais, temos uma ambientação interessante que lembra o inicio dos anos 80. Embora ele tenha sido lançado em 1986, ele fora filmado em 1983, por isso temos essa diferença leve de estilo.

Após outro ataque do monstro, algumas pessoas acabam morrendo e Diane, numa tentativa desesperada, arma uma armadilha junto com Richard para tirar toda a energia da criatura uma vez que ela parece ser invencível e nada consegue matá-la. O plano acaba falhando.


A criatura aparece para o Professor Bennett que está fazendo uma 'experiência' na escola., curiosamente não tem ninguém no local além dele, e tenta levá-lo para um armário. Richard e Diane tentam salvá-lo, mas a criatura se apaixona por Richard, a besta carrega o homem e sai a procura de um armário. O jovem Bennett fala para a sua mãe que talvez a unica forma de matar o monstro,  não seja tirando toda a sua energia como ela havia pensado, mas sim destruindo todos os armários. E é isso que acontece, Diane vai até a imprensa e diz para todos destruírem os armários. Aqui temos uma cena onde várias pessoas do mundo todo destroem o compartimento de suas residências, assim, não dando opções para a criatura. Sem o seu habitat natural, o monstro acaba morrendo no meio das ruas de San Francisco, dando fim ao pesadelo. "Bela se apaixonou pela fera".

O filme possui muitos problemas, a fantasia do criatura onde de longe podemos ver o zíper, microfones aparecem a todo momento. Não existe sustento e nem base para dizer que esse monstro poderia acabar com a humanidade como fora alegado pelo Dr. Pennyworth. As atuações são até boas, mas faltou um pouco de ritmo na história, hora ela é terror, hora ela é comédia, essa ondulação prejudicou a trama. A trilha sonora está bem presente durante a película, em alguns momentos, ela pode prejudicar, mas não é nada grave.

Como foi dito no começo dessa critica, para os dias atuais, esse longa é uma bomba sem tamanho, muito ruim e que pode gerar boas risadas. Mas também, para quem viveu os anos 80 e 90, isso é uma relíquia que mesmo com a penca de defeitos, fez parte da infância de muita gente. Devemos assistir esse filme levando em conta o que ele é, um trash. E por esse motivo, em homenagem a todos que, assim como eu, viveram os anos 80/90, dou nota: 6,0, não pelo que ele é, mas pelo que ele representa.

FICHA TÉCNICA 

Diretor: Bob Dahlin. 

Roteiro: Bob Dahlin. 

Elenco: Donald Grant (Richard Clark), Denise DuBarry (Professora Diane Bennett), Claude Akins (Sheriff Sam Ketchem), Paul Walker (Professor Bennett), Fergie (Lucy), Frank Ashmore (Scoop), Kevin Peter Hall (O Monstro do Armário), Henry Gibson (Dr. Pennyworth).  

Duração: 90 Minutos.

Sinopse: Depois de várias pessoas e um cão serem achados mortos em seus respectivos armários, uma repórter, seu filho e dois professores resolvem descobrir que mistério está por trás dessas mortes.

Por: Michael Kaleel.

3 comentários :

  1. Trash dos trash, essa é a palavra pra este filme. Eu também assisti na época, n quando passou nos cinemas, que por sinal nem lembro, n por n ter idade tão pequena assim, eu tinha 17 anos, mas sinceramente n lembro. Agora quando passou na tv pela primeira vez eu lembro. O filme é uma bomba total, mas dou três caveira por ser nostálgico e bem engraçado.

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  2. Estranhamente eu nunca consegui terminar de ver o filme quando passava na TV rs. Eu assisti esse longa no YT há poucos anos atrás. Eu gostei, não é um filme digno de premiações mas é divertido, como todo bom trash

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  3. Uma da vozes feita da recém-inaugurada nos estúdios da Dublavídeo São Paulo na sequência da abertura do filme como às vozes de Fernanda Bullara dublando na também temos a Fergie em um de seus primeiros trabalhos onde ela faz uma rápida participação como Lucy, eu assistir pela primeira vez no dia 23 de abril de 1999 no Cinema em Casa.

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