25 de julho de 2017

Crítica: Os Esquecidos de Phoenix (2017)


"Filmes sobre abdução são os únicos que nunca rendem bons filmes, mesmo podendo." Foi com essa afirmação que iniciamos a crítica de Os Escolhidos, lançado em 2013. O filme era uma nova aposta no gênero ufológico, que infelizmente tem pouquíssimos filmes memoráveis e realmente bons, o que os torna um dos temas mais empobrecidos do terror, embora haja muito material digno de trabalho, o que falta é inspiração. Quatro anos depois, nos deparamos com Phoenix Forgotten (Os Esquecidos de Phoenix), um interessante projeto em formato de mockumentary com algumas sequências em found-footage.

O "baseado em fatos reais" estampado no poster não é à toa. O filme se baseia em um acontecimento em 1997 onde várias pessoas relataram avistar uma formação de luzes estranhas no céu. O fenômeno ganhou repercussão mundial e ficou conhecido como "As Luzes de Phoenix". É esse o ponta-pé inicial da trama de Phoenix Forgotten, que começa a ficcionalizar ao adicionar a personagem Sophie (Florence Hartigan), uma moça que volta à Phoenix depois de crescida para filmar seu documentário sobre "Os Esquecidos de Phoenix", um trio de jovens que desapareceram há 20 anos enquanto investigavam as luzes. Um deles era seu irmão mais velho, Josh (Luke Spencer Roberts).

Embora eu tenha muito, mas muito preconceito com found footages, se um me interessa eu sempre vou conferir pois sabemos que quando um filme usa bem esse formato, pode se tornar ótimo como A Bruxa de Blair (1999), que inclusive serve de inspiração para este. Acontece que este formato consegue provir uma camada extra de realidade para qualquer história e se for usado de forma certa, pode deixá-la ainda mais assustadora.


Flertando também com o mockumentary, Phoenix Forgotten acerta na primeira hora ao apresentar os desaparecidos através de seus familiares, o que faz com que o público se conecte com a história, a ache triste, estranha até. O desenvolvimento me lembrou outros bons filmes do estilo como Lake Mungo (2008) e The Tunnel (2011). Ainda são usadas pequenas gravações dos jovens, já que a história se passa no fim dos anos 90 e achei que foram bastante competente ao usar um efeito VHS e até mesmo na caracterização, como um dos personagens que tem o cabelo exato famosamente usado naquela época. De certa maneira, isso convence e funciona bem para preparar o terreno para o final, onde Sophie encontra uma fita perdida gravada pelo trio. Muitos podem considerar os dois primeiros atos cansativos mas eu achei uma bola dentro. 

Daí vem o final... O que eu posso falar dele? Os últimos 15/20 minutos são apenas a fita encontrada pura, sem "edições", sendo exibida pelo público. Embora seja o clímax e repleto de ação, é previsível, é exatamente tudo que esperamos, é exagerado, é cheio de efeitos e totalmente indiscreto. Isso desvalia qualquer tentativa de realismo construído anteriormente no filme. Poderiam ter optado por algo mais simples, mas acho que foi o maior erro da produção. Ainda rola uma cópia descarada de outro found-footage sobre aliens, Abdução (2014), que inclusive merece uma conferida.

Pode não ser um completo desastre, achei que foi uma tentativa válida até, mas para quem já está cansado desse gênero, pode ser uma tortura, pois no final das contas, é uma oportunidade perdida e até mesmo uma reciclação de clichês estabelecidos por A Bruxa de Blair, além de cenas mesmo que lembram o clássico.

por Neto Ribeiro

Título Original: Phoenix Forgotten
Ano: 2017
Duração: 87 minutos
Direção: Justin Barber
Roteiro: T.S. Nowlin, Justin Barber
Elenco: Florence Hartigan, Chelsea Roberts, Luke Spencer Roberts, Justin Matthews

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