3 de julho de 2017

Crítica: Resident Evil - Vendetta (2017)


Esse é o terceiro capítulo da franquia feito em computação gráfica pela Capcom. E também é a referência para os fãs dos jogos que repudiam os filmes estrelado por Milla Jovovich devido a mudança da história que pouco lembra os games.

O filme foi produzido por Marza Animation Planet, roteirizado por Makoto Fukami e dirigido por Takanori Tsujimoto. Esse é o primeiro longa da saga de CGI a ir para os cinemas com tecnologia em 3D.

O longa trás Chris Redfield, Leon S. Kennedy e Rebecca Chambers juntos contra uma nova ameaça envolvendo vírus e Bows. O Leon foi protagonista dos dois excelentes primeiros filmes: 'Resident Evil: Degeneração' e 'Resident Evil: Condenação', mas aqui o papel dele é reduzido e mesmo assim, garante ótimas cenas. Aliás, desde aqui já falo que esse é um ótimo filme (Talvez, o melhor da trilogia), porém, não está livre de problemas. Embora Rebecca e Chris sejam protagonistas desempenhando papeis fundamentais na trama, Chris acaba tendo um certo destaque, não só pelo seu arco, mas também pela sua presença em cena.

 A história é como se fosse dividida em duas partes, a primeira metade é voltada para o terror, já a segunda parte foca na ação. A introdução é com Chris, depois temos cenas com Rebecca e o encontro dela com o agente da BSAA, depois o encontro deles dois com Leon. Cada personagem tendo o seu momento e o seu conflito pessoal. Vendetta poderia ter facilmente uns dez minutos a mais para mostrar coisas importantes da história que não apareceram nela, isso prejudicou um pouco, vamos falar sobre isso mais para frente.

Nesse capítulo, Chris Redfield é um líder e mentor, aqui ele está diferente do cara acabado do game, Resident 6, ele faz as suas missões, sofre as perdas, mas segue em frente de cabeça erguida. E pelo fato dele ter sofrido várias baixas de seu esquadrão devido a um ataque isolado do vilão da vez chamado Glenn Arias, ele parte para uma vingança contra o homem que mesmo ameaçando o mundo com vírus, se torna pessoal.

Rebecca Chambers é uma professora e cientista que trabalha no  Instituto 'Alexander de Biotecnologia', para cria uma cura para o vírus que transforma as pessoas em zumbis, ela está trabalhando quando a instalação sofre um ataque da qual vários infectados surgem e ela se vê obrigada a usar métodos arriscados para sobreviver da infecção. Chambers, a priori, funciona como uma ferramenta de parcialidade entre Chris e Leon que têm pequenas divergências. A sua personalidade é bem meiga, e racional.   

E por fim, Leon está do mesmo jeito que Chris no sexto jogo, ele está sofrendo pela morte de sua equipe, se lamentando de um ocorrido em Washington, e agora ele está de férias passando dias bebendo num bar numa região montanhosa no Colorado. E para a surpresa dos fãs, alguns problemas do filme estão relacionadas a esse personagem aqui.

Cronologicamente dentro da saga, o filme se passa após o sexto jogo e antes do sétimo jogo. Muita informação fica oculta no filme e pode prejudicar uma pessoa que resolva ver esse capítulo sem ao menos ter visto ou jogado algum jogo passado (Especialmente o 4 e o 6). Para ajudá-los a entender melhor a trama, coloquei abaixo um pouco das circunstâncias que levaram o vilão Arias ser o antagonista e um pouco sobre o passado de Leon, que só é mencionado no filme, tendo uma ou outra cena aleatória para das plot aos fatos que viriam a seguir. 

Depois do fim da Neo-Umbrella com a morte de Derek Simmons e Carla Radames,  boa parte das instalações da organização foram destruídas e informações foram perdidas, porém, não todas as informações, e elas foram recuperadas por um homem que já foi um agente da Cia, Glenn Arias. Além disso, esse homem também conseguira informações da Tricell que estava sobre a influencia de Wesker.

Arias vendeu essas informações para o mercado negro, e isso fez com que ele se tornasse um dos homens mais procurados pela INTERPOL. Glenn criou a sua própria empresa chamada 'A-Gua-G' que distribuía água potável para uma grande região dos Estados Unidos. Ele ia se casar com uma mulher chamada Sarah, mas durante o casamente, acontece um ataque e todos acabam morrendo, ele e dois amigos: Diego e sua filha, Maria. Um ponto disso tudo é que mesmo Arias sendo um homem procurado no mundo todo, ele ainda era dono de uma empresa, o filme não explica isso. Também temos o fato de que o longa faz com que Arias pareça uma vítima da situação; Um homem que perdeu tudo tragicamente e enlouqueceu... Mas, na verdade, ele era mau desde o começo, ele vendia armas biológicas no mercado negro, imagine só.    

Então, enlouquecido, ele se une com os remanescentes da seita Los Iluminados, os vilões do quarto jogo, nem todos foram mortos por Leon, e cria um novo vírus derivado das Las Plagas, vírus novo chamado de 'A-Vírus'. A infecção transforma a pessoa em zumbi diferenciado, ela meio que faz uma regressão e torna a pessoa animalesca e primitiva, mas ela não está morta, está apenas infectado. Então, como o titulo sugere, Vendetta (traduzido do italiano, significa 'Vingança'), não só pela questão de Chris querer pegar Arias pelo que ele fez com o seu grupo, mas também pela vingança que Arias quer fazer com todos pelo assassinato de sua esposa e família. 

O grupo Los Iluminados forçou um homem chamado Patricio a se infiltrar no governo dos Estados Unidos e informar Glenn sobre as atividades ante bioterrorismo. Esse homem conseguiu se infiltrar na Divisão de Operações Especiais dos EUA (DOE), a mesma divisão que Leon trabalhava.  Então, quando Leon ficou sabendo de um homem que era aliado de Derek Simmons, ele e sua equipe partiram rumo a captura do indivíduo, no entanto, Patricio contou tudo a Arias que colocou uma bomba num dos veículos da DOE, assim, matando toda equipe de Leon. Por isso, ele está abalado nesse capítulo. Patricio só aparece depois do ocorrido, nós não vemos esse acontecimento no filme.

Agora, falando sobre o filme em si e o seu conteúdo. Temos ótimas cenas que preciso comentar aqui. O momento em que Chris e sua equipe entram numa mansão semelhante a mansão do primeiro jogo, é muito divertida. Dá uma nostalgia, os infectados são muito bem feitos e estão bizarros, temos muito sangue, mutilamento e bons sustinhos. Assim como a parte em que vemos a Rebecca, o ataque que ocorre é muito interessante, um clássico survive horror, que lembra bastante os jogos antigos. 

Quando o Leon aparece, o terror acaba e começa a ação, o plot dele foi o menos explorado e por isso não teve tanto destaque quanto Chris e Rebecca, ele funciona quase como um personagem secundário. No entanto, é muito legal ver o Leon com problemas e afetado pelo passado, o público estava acostumado a ver o homem como um 'casca grossa' que não se abalava fácil. Esse filme quebra isso, para se ter uma ideia, nós vemos o Leon sorrindo, não com gargalhadas e nem mostrando os dentes, mas sim, é algo raro de se ver. 


Dentre as cenas de ação mais legais do filme, envolve a infecção se espalhando pela ilha de Manhattan em NY, um fato interessante sobre isso é que esse é o primeiro filme da trilogia a mostrar um lugar real. Existe um momento em que vemos dois Cerberus atacando Leon numa moto, ela é divertida e bonita, no entanto, existem vários problemas com ela com lógica. Os cachorros provocam engavetamentos e explosões de carros só porque o veículo passou por cima dele, Leon joga uma granada no meio da rua (Com carros e inocentes passando por ela) e faz acrobacias impossíveis na motocicleta para fugir das dentadas das criaturas. Outro ponto negativo de coerência é quando Chris está lutando com os zumbis no prédio, de repente, Leon aparece na moto num corredor dentro do prédio, seria bem mais lógico ele ter ido correndo, mas isso é só um detalhe.

Esses problemas não são exclusivamente do Leon também, temos outra situação onde a equipe do Chris usa uma arma que faz um arranha-céus desabar, no meio de Nova York. Aí você se pergunta: "E as pessoas que estavam dentro e ao redor do prédio?"... Pois é, elas 'vestiram terno de madeira'. 

A luta de Kennedy e Redfield, são muito empolgantes, dá gosto ver a dupla unindo forças, temos uma impressão que, mesmo com ideias diferentes, eles se respeitam, nós também percebemos a diferença de luta entre um e outro, a força do Chris e a agilidade de Leon. A luta entre Chris e Arias envolvendo armas de fogo é muito divertida, e depois a batalha final não fica atrás, mostrando todas as habilidades dos dois protagonistas para defender o mundo e salvar Rebecca de um trágico destino. 

Graficamente falando, a película é melhor que os seus antecessores, mas pode ser notado alguns probleminhas como alguns tiros na cabeça dos infectados, onde não vemos os buracos das balas, apenas o sangue espirrando. É um filme bonito visualmente, mas não é nada extraordinário, se você gostou dos gráficos do Degeneração e do Condenação, vai gostar desse. As expressões dos personagens estão demais, eles fazem altas caras e bocas, dando um pouco mais de realismo à história. 


Bem, como um todo, Resident Evil: Vingança, é um deleite aos fãs da franquia, possui alguns erros e exageros, mas ok, não é nada tão exagerado quanto as coisas que a Alice faz nos filmes... Temos personagens queridos que estão impecáveis, além de vermos uma nova vertente desse indivíduos, fato esse que os torna mais humanos e realistas, contribuindo para uma boa qualidade da projeção. É tudo visivelmente nítido, nós sabemos tudo o que está acontecendo e a trilha sonora é bem legal. Vendetta poderia sim ser melhor, mas isso não quer dizer que ele é ruim, nota: 7,5.
FICHA TÉCNICA

Titulo Americano: Resident Evil - Vendetta.

Titulo Brasileiro: Resident Evil - Vingança.

Diretor: Takanori Tsujimoto.

Roteiro: Makoto Fukami.

Elenco (Capturamento de movimento): Matthew Mercer; Kevin Dorman; Erin Cahill; Kari Walrgren; John DeMita; Cristina Vee; Fred Tatasciore; Arnie Pantoja; Arif S. Kinchen.

Sinopse: Chris Redfield (Kevin Dorman) pede a ajuda do agente do governo Leon S. Kennedy (Matthew Mercer) e de uma professora do Instituto Alexander de Biotecnologia para deter um comerciante que pretendia espalhar um vírus mortal em Nova York como vingança.


Por: Michael Kaleel. 

Trailer

4 comentários :

  1. Anônimo7/09/2017

    Não tem nada exagerado como a Alice dos filmes? Alice nos filmes tem a desculpa de estar infectada e ter super poderes, no caso do Leon não,e ele faz coisas impossíveis, como por exemplo o monstro jogar ele pra cima, ele conseguir virar de cabeça pra baixo no ar pra descer atirando e ainda conseguir mover o corpo dele no ar pra desviar das unhas do monstro,sem falar dos próprios pontos que você citou no texto,que se estivesem em algum filme do Paul Anderson bastaria pra geral massacrar e ridicularizar.

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  2. Concordo com quase tudo o que foi dito, menos uma coisa: o Chris nunca foi só de força bruta, nem mesmo em Resident Evil 5, no auge de sua força física onde ele estava musculoso, ele ainda tinha feitos de agilidade bons, como quando desviou dos ataques de um crocodilo gigante numa pequena jangada ou quando ele e Sheva meio que deram um mortal em pleno ar enquanto estavam caindo. Além disso, ele não está mas musculoso e já se mostrou ágil esquivando-se de lasers em Resident Evil Umbrella Cronicles; tá certo que não teve tanto show off quando o Leon em RE 4 mas ainda assim é um grande feito de agilidade.
    Eu até gostei da participação da Rebecca mas achei que faltou mais fibra e coragem na personagem em certos momentos, tipo, ela se virou até bem contra os zumbis no laboratório mas pareceu meio assustada demais pra alguém que enfrentou as coisas que ela enfrentou em Resident Evil 0 e 1, onde ela enfrentou coisas bem piores. Também achei desnecessário aquele clichê de o cara se interessar por uma mulher que é idêntica a um amor do passado dele (no caso, Rebecca parecia muito com Sarah, ex mulher de Glenn) já vi isso em Drácula de Bram Stoker, The Vampire Diaries, entre outras obras, achei desnecessário ter isso em Vendetta.

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    1. É verdade, o Chris sempre teve uma certa agilidade, não é atoa que ele está vivo mesmo depois de passar por tudo que passou. Mas, em comparação com o Leon, podemos notar que o Chris uma relação mais 'íntima' com a força bruta do que com a agilidade, mas isso não quer dizer que o Chris não seja ágil e nem que o Leon não seja forte. Pelo que li a respeito, o Chris só ficou musculoso porque ele treinou pesado para enfrentar o Wesker, aí uma vez que o Wesker morreu, não tem porque continuar se mantendo em forma como antes.

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    2. Ah, e com relação a Rebecca, é verdade. Ela passou por coisas muito piores, não digo que devia estar acostumada, mas deveria saber lidar melhor com a situação.

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