1 de agosto de 2017

Crítica: 7 Desejos (2017)


Chegou aos cinemas brasileiros na semana passada o filme 7 Desejos (Wish Upon). A produção é uma nova adaptação do clássico conto da pata do macaco, onde um personagem encontra um objeto que concede desejos mas com terríveis consequências. Acontece que esses filmes já tem uma base pré-estabelecida e cabe ao roteirista se virar para criar coisas novas e atrativas. É sob essa visão que o filme que estamos falando tenta ser um novo summer hit - sem êxito - ao trazer um material muito ruim e completamente esquecível. E que é claro que tem estreia garantida nos nossos cinemas, pois se fosse de fato bom, nem viria a luz do sol nas terras tupiniquins.

Sob o comando de John Leonetti (Annabelle), o filme narra a história da adolescente Clare (Joey King), que quando era menor viu sua mãe se suicidar. Desde então ela tenta levar uma vida normal com seu pai (Ryan Phillippe) com poucas condições. Na escola, tem suas melhores amigas Meredith (Sydney Park) e June (Shannon Purser), mas não é uma das alunas mais populares, sendo constantemente alvo das patricinhas. Sua vida muda quando seu pai, um lixeiro, encontra uma interessante caixa japonesa e dá de presente para a filha. Clare acaba descobrindo que o intuito do objeto é conceder desejos. Ela a princípio não acredita na ideia mas quando eles começam a acontecer, ela começa a perceber que é real. Mas os desejos vem com consequências mortais e cada desejo precisa de uma morte.


7 Desejos é uma daquelas produções nada memoráveis que de alguma forma, conseguem receber lançamento cinemático (não me refiro apenas aqui no Brasil) ao invés de ser lançada direto em DVD ou VOD. Não consigo reunir uma única justificativa para tal feito. É completamente dispensável e não funciona nem como terror nem tampouco como suspense. Comédia, talvez. Há cenas que foi difícil não lembrar de Todo Mundo em Pânico, pois parece algo saído diretamente das sátiras (só que com menos qualidade).

A sensação que o filme dá é de um produto artificial, insosso e inodoro. O roteiro assinado por Barbara Marshall (Viral) é muito ruim, desde os diálogos à condução das cenas. As cenas envolvendo o elenco jovem são horríveis de se acompanhar pois possuem uma visão muito exagerada, estereotipada e extremamente inacreditável dos personagens e qualquer interação entre adolescentes. Sabe aqueles personagens adultos de comédias que tentam se entrosar com os amigos dos filhos? Pois bem.

Marshall também utiliza algo que eu, particularmente, acho bastante irritante em filmes de terror americanos. Quando a trama envolve algo sobrenatural, a origem mitológica geralmente é asiática ou estrangeira (quase nunca é do próprio país) e a explicação vem cheia de estereótipos e coisas mal elaboradas, parece até um starter pack para filmes sobrenaturais. Portanto, mais um quesito que o roteiro não acerta.


Algumas situações do roteiro talvez até funcionassem melhor se fossem abordadas através de uma postura voltada ao humor negro, pois traria um aspecto de comédia mais satisfatório do que o involuntário efeito que o mesmo naturalmente tem. Para vocês terem noção, vou comentar duas cenas em particular: uma garota acorda com o corpo apodrecendo devido a um dos desejos e seu amigo começa a tirar fotos dela ao invés de ajudar; próximo ao final, Clare começa a agir como uma viciada em crack (só que pela caixa).

John Leonetti, conhecido por comandar Annabelle (2014) e o mais recentes O Perigo Bate à Porta (2017) traz uma direção muito da genérica e que não funciona nem cria um pouco de suspense. Creio que tenha sido uma exigência dos produtores que o filme fosse PG-13, ou seja, classificação etária de 14 anos, para que se saísse bem nas bilheterias pois jovens desocupados iriam procurar um filme pra assistir e fazer barulho no cinema e iriam encontrar quem? 7 Desejos.

Assim, o filme, cujo enredo usa mortes acidentais como recurso narrativo, traz pouquíssimo sangue e não impressiona num quesito que deveria, pois a violência fez tanto Premonição quanto Jogos Mortais sobreviver por quase uma década ou mais nos cinemas. O único sangue notável é o espirrado na cara da protagonista quando um personagem é atingido por uma serra elétrica e nem chegamos a ver o resultado!


O elenco também está péssimo em cena, incluindo a Joey King que já provou ser boa atriz em Invocação do Mal (2013) ou Independence Day: O Ressurgimento (2016). Sob direção de Leonetti, nem ela nem mais ninguém do elenco se destaca e entregam atuações que ao invés de dar carisma aos personagens ou demonstrar a tensão das situações, acabam fazendo rir.

O resultado final de 7 Desejos chega a ser cômico. É um terror adolescente de quinta, onde quase nada funciona. Embora a premissa sempre chame a atenção do público geral, os personagens são rasos, o roteiro é mais bidimensional ainda, sem explorar nem sua protagonista nem toda a complicada situação onde a mesma se encontra e se for pra falar de um lado mais pipoca, as mortes não impressionam. É ruim e é tosco. Talvez pretendesse ser exatamente isso. A única certeza é de que, daqui a um ano, ninguém lembrará mais desse filme.

por Neto Ribeiro

Título Original: Wish Upon
Ano: 2017
Duração: 90 minutos
Direção: John Leonetti
Roteiro: Barbara Marshall
Elenco: Joey King, Ki Hong Lee, Sydney Park, Shannon Purser, Ryan Phillippe, Sherilyn Fenn, Elisabeth Rohm


Description: Rating: 1.5 out of 5

4 comentários :

  1. Também achei isso dia 3 de outubro vai lançar o culto de chucky em DVD não vai passar nos cinemas quando lançar depois de alguns dias em outubro queria você fazer a crítica e em dezembro vai ter um filme medo viral não tem data e queria você fazer a crítica corrente do mal e um filme que achei quase bom assim queria ver a crítica desse filme, esse filme tem na netflix lançou hoje

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    1. Iremos fazer as críticas desses sim. Corrente do Mal já temos, aliás:
      http://sessaodomedo.blogspot.com/2017/07/critica-corrente-do-mal-2014.html

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  2. Acho a ideia do filme bem atraente, mas ele descambou pra um lado teen que ficou exaustivo. Não tem problema ser um filme teen, mas sabe-se que essa é uma esfera recheada de clichês, e quando você não sabe trabalhar em cima disso, acaba ficando esgotado. Teve um momento que eu não aguentava mais olhar para a cara da protagonista, ela é um clichê ambulante - tanto olhando para o papel dela dentro da história e da escola, quanto para a personalidade dela (os pedidos dela não foram nada menos do que eu já esperava). Outro ponto é a previsibilidade, que é imediata. Ela nem ganhou a caixa ainda e eu já adivinhei uns quatro ou cinco pedidos dela.
    Sobre o final, eu achei que seria algo no estilo "Arraste-me Para o Inferno", pois no meio do filme, se não me engano, eles citam um demônio. Achei mesmo que esse demônio iria vir busca-la no final - mas acabou sendo aquilo que foi.
    É um daqueles filmes que o que realmente agrada é a premissa básica. A garota ganha uma caixa, tem direito a X pedidos, mas eles vem com uma consequência. Bom, esse premissa me seduziu, confesso, e não só a mim. Mas todo o resto é muito bobo. Tem uns atores bons, mas nenhum faz um bom trabalho. As cenas, que deveriam te dar aquela agonia, não fazem nem cócegas. As mortes (à la Premonição) são terríveis de idiotas (as de Premonição são infinitamente mais elaboradas) - não precisavam ser sangrentas, mas só bem feitas. Aí me vem de colocar uma personagem pra prender o cabelo no triturador do ralo? Sério isso? Uma cena que eu achei que ia valer o filme todo (a do elevador) é uma piada de tão mal dirigida que é - desde a personagem dentro do elevador, até o baque dele no chão. Pra uma queda tão alta, o estrago até que não foi tão grande.
    E tem aquelas coisas que a gente não entende. A caixa "mata" pessoas que a protagonista gosta/estão presentes na vida dela? Isso é certo ou me equivoquei? Se isso for uma certeza, por que raios a prima(?) do Ryan morreu? Tem umas questões com o tio da protagonista que eu também não entendi bem. O lance com a mãe dela ficou um pouco confuso. Uma bagunça esse filme, tentou ser tanta coisa, saiu atirando em tudo o que podia e acabou atirando no próprio pé. "Fraco" é aquilo que é bom, porém podia ser melhor. Esse filme é ruim mesmo. A premissa (que, inicialmente, é interessante) se torna irritante - quem não torceu para que ela morresse junto com aquela caixa?

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    1. A cena do baque do elevador é ridícula, esqueceram de pagar o sonoplasta. Mas é realmente tudo que você disse aí. O nível de clichê é muito exaustivo, não é por que um filme é teen que precisa ser ruim e um dos maiores clássicos do gênero tá aí pra provar, Pânico.

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