4 de agosto de 2017

Crítica: Jogos Mortais 6 (2009)


O jogo completa seu ciclo. 

A esta altura do campeonato, parecia que todas as críticas que eu teria que fazer pro restante da franquia Jogos Mortais (veja as outras aqui) se assemelhariam e qualquer coisa que eu falasse soaria redundante, pois são os mesmos erros, repetidos over and over again. É claro que os roteiristas nunca aprendem. Se ainda tá dando dinheiro, é por que está indo pelo caminho certo, não é? É aí que a ironia ataca. Quando lançado, Jogos Mortais 6 se tornou o filme de menos lucro da franquia, o único a arrecadar menos de $100 milhões mundialmente. Uma prova de que o público estava cansado até o fio do cabelo da mesma história, ano após ano.

Sabe o que é curioso? Da segunda trilogia, esse é, de longe, o melhor, ou menos ruim, se for pra ser sincero. Sim, ele carrega alguns erros dos outros filmes, mas é o que tem a história mais interessante e as armadilhas mais criativas. Acho que de uma forma geral, foi o mais divertido desde o terceiro.

O enredo da sexta parte continua de onde o outro parou: Agente Strahm está morto e Hoffman (Costas Mandylor) conseguiu que o FBI acreditasse que ele era o novo Jigsaw. Porém, ele não esperava que a Agente Lindsey (Athena Karkanis), parceira de Strahm, ainda estivesse viva e voltasse pra ajudar na investigação, que parece cada vez mais se aproximar da verdade. Enquanto isso, Jill (Betsy Russell) abre a caixa deixada por John em seu testamento, onde ele pede por um último jogo num ato de vingança (?) contra uma empresa de seguros que cancelam os contratos quando as pessoas mais precisam.


Hoffman é o encarregado de colocar quase que uma firma inteira dentro de um depósito cheio de armadilhas megalomaníacas. Isso é um pouco difícil de engolir mas num resultado geral, se forçar, dá pra relevar. É aí que entra William Easton (Peter Outerbridge), um executivo da empresa que logo se vê em mais um jogo do Jigsaw, tendo que passar por provas para tentar salvar alguns de seus funcionários nas mais diversas armadilhas.

Jogos Mortais 6 não é um divisor de águas nem reinventou a franquia. Ele ainda traz muitas burradas dos filmes anteriores, culpa da dupla de roteiristas que não procura dar uma variada para chamar mais atenção e se contenta com pouco. Ainda há muita coisa errada aqui, desde questões lógicas à cenas extremamente expositivas e desnecessárias, coisa que já virou marca da série.

No entanto, o que eu gostei nesse capítulo é que ele tenta trazer um pouco de emoção à história. Diferente dos outros, aqui só temos dois plots principais: William fazendo seu jogo enquanto se depara com as armadilhas e Detetive Hoffman tentando despistar os agentes do seu caminho como ajudante do Jigsaw. E os dois plots são até bons. O primeiro trás algumas das melhores armadilhas da franquia, algumas cenas chegam a ser tensas. Não por medo ou algo do tipo, mas por antecipação, como a em que a advogada da empresa tem que atravessar um labirinto cheio de gás fervente que queima sua pele. Talvez o principal erro é simplesmente o exagero das armadilhas, que apesar de serem criativas, são basicamente impossíveis de serem montadas por um homem só e ainda mais sem ninguém perceber.


Mas relevando isso, vamos ao outro plot, que talvez seja o melhor. Embora Hoffman seja extremamente irritante e tenha tomado as partes mais chatas dos filmes anteriores, aqui seu plot ainda trás um pouco de suspense com investigação policial e inclusive tem uma cena muito boa quando o grupo de policiais estão analisando uma gravação do Jigsaw encontrada numa armadilha e se dão conta que a voz pertence à ele.

A direção é do estreante Kevin Greutert, que trabalhou como editor dos filmes anteriores. Aqui o cara faz um bom trabalho, tanto visualmente (a fotografia é ótima) quanto na condução de algumas sequências como a da armadilha do carrossel. Só tem uma cena que eu preciso comentar, que me fez gargalhar de rir. A cena em questão trás Jill abrindo a tal caixa e a cena (que deveria ser simples) é cheia de cortes e efeitos exagerados. É tão tosca que é impossível não rir. Se quiser olhar, veja este vídeo a partir dos 3:00.

O filme não é tão ruim quanto seus companheiros e consegue trazer uma diversão momentânea. Tem sim bons momentos e consegue passar se arrastando na média até pros mais rigorosos (como eu). O final também não faz feio e seria bem legal se tivessem adicionado uns 15 minutos de filme e amarrado a história inteira, já que a tagline traz uma sensação de conclusão, o que claramente não foi pois ainda recebemos o embuste do Jogos Mortais: O Final (2010) e esse ano ainda tem o Jigsaw.
por Neto Ribeiro

Título Original: Saw VI
Ano: 2009
Duração: 90 minutos
Direção: Kevin Greutert
Roteiro: Patrick Melton, Marcus Dunstan
Elenco: Tobin Bell, Costas Mandylor, Betsy Russell, Mark Rolston, Peter Outerbridge, Shawnee Smith

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