10 de setembro de 2017

Crítica: Jackals (2017)


Desde que Os Estranhos (2008) fez um ótimo trabalho em trazer de forma definitiva os home invasions para a América e Você é o Próximo (2011) chocar as audiências com sua violência e humor ácido, tivemos diversos filmes do mesmo estilo que procuravam se inspirar principalmente nesses dois.  Muitas dessas crias não se destacam muito e Jackals tinha tudo para ser apenas mais uma delas mas consegue se diferenciar um pouco e ser um ótimo filme para aqueles que adoram home invasions. Claro que se você for olhar por um lado mais crítico, Jackals não trás nada de novo e é só mais um amontoado de clichês e repetições já feitas de forma melhor em outros filmes, mas como não pensei assim e não esperava muito dele, foi uma bela surpresa. Sob direção de Kevin Greutert (Jogos Mortais 6 e 7) e lançado sem muita promoção nos EUA, o filme aproveita regras pré-estabelecidas no subgênero para fazer um filme divertido e sério, um prato feito para fãs de filmes de terror. Não espere encontrar uma obra-prima aqui, espere encontrar um entretenimento com momentos tensos e violência e sem dúvidas gostará.

Situado nos anos 80, Jackals acompanha a família Powell, separada pelo tempo e brigas, que se reúnem em uma cabana isolada com o propósito de ajudar o filho mais novo, Justin (Ben Sullivan), que fugiu de casa deixando uma namorada grávida para se juntar à uma seita satânica. Para fazer o trabalho, o pai Andrew (Johnathon Schaech) contrata o profissional Jimmy (Stephen Dorff) e juntos conseguem "sequestrar" o jovem, levando ao local de encontro onde estão a mãe divorciada Kathy (Deborah Kara Unger), o irmão Campbell (Nick Roux) e a namorada Samantha (Chelsea Ricketts) que está com a filha recém-nascida de Justin.


Há várias tentativas de fazer com que ele volte ao normal, mas o jovem repete que seu nome agora é outro e continua convicto nas suas novas crenças. A história muda quando o culto acha a cabana e exige o jovem de volta e quando os Powell não o devolvem, eles mostram que estão dispostos a matar geral para conseguir o que querem.

Não perdendo tempo, Jackals vai direto ao ponto e aproveita os momentos de tensão para desenvolver os personagens e mostrar o pouco do passado da família de forma discreta e sem muita exposição. O Justin está com os pensamentos trocados e pelo visto teve bastante motivo para fugir, desde o difícil divórcio dos pais à péssima reação de Andrew ao descobrir que o filho seria pai. Mas é impossível não se sentir frustrado com as diversas tentativas de trazer o garoto de volta, já que agora ele se assemelha à um verdadeiro psicopata.

É fácil simpatizar com a família problemática, principalmente por conta do elenco, repleto de rostos conhecidos por fãs do gênero. Johnathon Schaech esteve em filmes como A Morte Convida para Dançar (2008) e Laid to Rest (2009); Deborah Kara Unger é a mãe da Alessa em Terror em Silent Hill (2006); e Stephen Dorff esteve em O Portão (1987), Garganta do Diabo (2003) e no inédito Leatherface (2017).


O diretor Kevin Greutert consegue guiar o filme de forma correta, aproveitando as cenas que o roteiro trás para criar um bom suspense crescente. Ele sabe conduzir os atores e também organizar cenas envolvendo o culto, formado por indivíduos com máscaras esquisitas que lembram lobos (daí o nome do filme, "Chacais". Um exemplo é a cena em que eles aparecem pela primeira vez, representada na foto acima, acompanhada de uma ótima trilha sonora. Outra cena muito boa é a em que um personagem precisa se esconder num carro dos cultistas. Inclusive, é necessário destacar a cena de abertura, uma homenagem direta à Halloween - A Noite do Terror (1978), gravada em POV e que introduz de forma simples, eficiente e tensa o culto. O diretor manda bem nessa sequência, muito bem montada, o que é interessante já que Greutert era editor antes de se aventurar no posto de direção.

O roteiro no entanto poderia ser um pouco mais longo e aproveitar melhor o clímax do filme para desenvolver melhor os personagens, de uma forma que as decisões que eles tomam pareçam mais verossímeis e realistas. É o clássico caso de "se eu fizesse, eu faria melhor". O desfecho em si é brutal mas não é tão conclusivo, embora eu não tenha achado ruim. Acontece que uns dez minutos a mais seriam generosos ao produto final.

Com uma boa dose de suspense e violência, Jackals é um bom home invasion que não revoluciona o gênero mas cumpre bem o seu papel - ou seja, vale a conferida!
por Neto Ribeiro

Título Original: Jackals
Ano: 2017
Duração: 85 minutos
Direção: Kevin Greutert
Roteiro: Jared Rivet
Elenco: Deborah Kara Unger, Johnathon Schaech, Stephen Dorff, Ben Sullivan, Chelsea Ricketts, Nick Roux

2 comentários :

  1. Baixando aqui pra conferir logo mais.
    Em breve retornarei aqui comentando oq achei ^^
    Gostei da crítica.

    ResponderExcluir
  2. o filme ate que e bom! mais de baseado em fatos reais ele não tem nada.

    ResponderExcluir